Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
A escola está a morrer!
A escola de rosto humano, amiga das pessoas, está a morrer!

Nós entregamos os nossos filhos à escola com a esperança de que eles aprendam a aprender. E, porque aprendem a aprender, aprendam a conhecer. E, porque aprendem a conhecer, aprendam a ler, aprendam a estudar e aprendam a interpretar. E porque aprendem a ler, a estudar e a interpretar que aprendam  a pensar. A ser curiosos. A conviver com os erros e com os enganos. A ser abertos aos outros com quem se aprende. Que, por isso mesmo, deixam de ser “outros” e passam a ligar o nosso conhecimento e a fazer parte dele. E porque aprendem a pensar que tenham uma identidade. Que sejam singulares. Que sejam amigos da pluralidade e que sejam íntegros. E, por causa disso tudo, que descubram, inventem e re-criem. E, finalmente, percebam que, sempre que se aprende, se está mais perto da ignorância do que de se dominar do conhecimento. E que, de síntese em síntese, a sabedoria é só uma tendência para a verdade movida pelas convicções e, sobretudo, pela paixão.

Nós entregamos os nossos filhos à escola com a esperança de que eles aprendam a pensar. E que, unicamente porque pensam, sejam mais eles-mesmos. Que aprendam a ser! Mais transparentes e mais espontâneos. E de tudo o mais que os impeça de ser  fingidores, gananciosos ou vaidosos. Mas, vendo bem, talvez a escola não faça com que se aprenda a aprender, a conhecer e a pensar. E talvez não os ensine a que só quando nos abrimos para os outros nos abrimos para nós.

Nós entregamos os nossos filhos à escola com a esperança de que eles aprendam a aprender, que aprendam a pensar e que aprendam a ser. Mas a escola parece ser mais amiga dos downloads do que do aprender. Das soluções do que dos problemas. Do ouvir do que do escutar. E, é claro, das respostas que das perguntas. A escola parece ser mais amiga do domínio do conhecimento, do dinheiro que isso possa trazer no mais curto espaço de tempo, e do poder com que isso lhes traz a vertigem de “ascenção” sobre os outros. Quando é assim, temos, então, um instrumento de humanidade que se desencontrou do rosto humano. Que pressupõe que o “pensamento positivo” serve para iludir os pensamentos maus. E que um discurso quase oficial sobre a felicidade serve para erradicar a tristeza. E que os outros são só “os outros”. E nunca aqueles com os quais mais se chega ao “eu”.

Nós entregamos os nossos filhos à escola com a esperança de que eles aprendam a aprender, que aprendam a pensar, que aprendam a ser e que aprendam a compreender que nunca se diz eu sem tu. E que só dessa forma, depois de nascerem humanos, que os nossos filhos aprendam, para sempre, a tornar-se pessoas. Mas o mundo conspurcou a escola. E a escola de rosto humano, amiga das pessoas, está a morrer!

Chegámos à altura de reinventar a escola. De a reinterpretar. De a desenhar para o futuro. E de, só assim, ao entregarmos nos nossos filhos à escola, e seja o que for que a escola lhes dê, eles aprendam e pensem e sejam e digam eu e tu. Ou seja, que, ao entregarmos os nossos filhos à escola, a tenhamos entregue a eles. E, por tudo isso, ela nunca mais os afaste de serem iguais e singulares. Mais amigos do tempo. Mais amigos da dúvida, dos erros e do engano. E mais conviventes com a dor. E assim, a escola, depois de lhe entregarmos os nossos filhos, os entregue ao mundo mais sábios, mais justos, mais bondosos. E mais capazes do encantamento e do amor.

subscreva