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Ai as notas!
Estão quase aí...

Nós, os pais, gostamos das notas. É verdade que o coração tremelica, um bocadinho. E há sempre uma lágrima "fácil", ao canto do olho, quando escutamos, assustados, todas as coisas boas que os nossos filhos fizeram. Nós gostamos que eles gostem da escola! E gostamos - mais, ainda - que eles admirem, respeitem e guardem os professores dentro de si; de preferência, para sempre. Gostamos, é claro, que eles “tirem” boas notas (mas não percebemos o porquê deste "tirem", do verbo tirar). Mas gostamos, sobretudo, que eles aprendam (o que nem sempre, como todos sabemos, é a mesma coisa). E - mais, ainda - gostamos (muito!) de os ver a trazer a escola para casa, para aquilo que brincam e para tudo que pensam. E, sendo verdadeiros, sabemos que crescer implica um curriculum de coisas boas e um curriculum de falhanços, de erros e de "parvoíces". (Aliás, começa a ser importante que se fale deste outro curriculum das escorregadelas porque ele define bem melhor aquilo que somos, hoje, apesar de todas elas.). E, não fugindo à verdade, também sabemos que são os nossos filhos que têm as notas. Mas que era leal, para todos, que os pais entregassem uma folhinha, com uma avaliação final, da escola, neste ano lectivo. Porque se há professores mágicos e bons, se há professores dedicados e humildes, e se há professores simpáticos (já viram como os nossos filhos vão da simpatia que reconhecem num professor à motivação para aprender com ele?) e professores mal-dispostos, e se depende dos professores a forma como eles aprendem, não é justo que a escola avalie sem ser avaliada. Até porque muitos bons professores são - eles, também - pouco acarinhados por muitas escolas. E que deviam ter más notas por isso.

Mas, chegada a hora, os nossos filhos são inteligentes ou não. São atentos ou distraídos. Portam-se bem ou portam-se mal. Aprendem ou não. São motivados ou são preguiçosos. E eles, só eles, parecem ser os únicos responsáveis pela forma como correu a escola. E, talvez por isso, só eles tenham as notas. Na verdade, não só eles; também nós. Porque se banalizou esta "tendência" das escolas entregarem, em mão, as notas aos pais, no meio de uma espécie de reunião geral de pais, em que, cada um, pela sua vez, se senta num banquinho, diante de um professor e, como quem é avaliado, nos dão uma folha com as classificações finais dos nossos filhos, sem nada de novo que não saibamos. Sem um mea culpa da escola. Do género: "Aqui errámos nós"; "Aqui estivemos distraídos"; "Aqui não compreendemos as coisas como devíamos"; etc. Para que, a seguir, possamos nós reconhecer que pusemos pressão sobre a escola e que isso foi uma tolice. E que "assobiámos para o ar" em relação aos "comboios de trabalhos de casa" e talvez não o devêssemos ter feito. E que andámos num frenesi a levá-los para todas as actividades e mais algumas e que ninguém ganhou tanto assim com isso. Mas não. Às vezes, a escola, quando nos entrega as notas, trata-nos como "crianças que vão ao quadro" e que se arriscam a repreensões, ao de leve. E esquece-se (esquecemo-nos todos) que uma escola onde todos nos avaliamos a todos é uma escola sem medo dos erros. Enquanto só as crianças forem avaliadas a escola tarda em ser escola. E nós, os pais, evitamos "chamar a atenção" da escola. Podem os nosso filhos aprender sem que os pais e os professores chamem, a seu propósito, a atenção uns dos outros?

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