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Amanhã, pode ter sido já, tarde demais!
Amanhã fecham as escolas

Amanhã fecham as escolas. Todas as escolas! Depois dos imunologistas, intensivistas, epidemiologistas, infecciologistas, e de muitas mais pessoas ligadas à saúde (exaustas e à beira do colapso), matemáticos, e etc. terem multiplicado os avisos para a necessidade do seu encerramento, desde há semanas. Para que se evitassem as quase três mil mortes que a permanência das escolas abertas trariam à catástrofe que estamos a viver. E para o modo como os mais de dois milhões de pessoas a conviver, todos os dias, na escola e no caminho para ela, não alimentassem as cadeias de transmissão viral. Enquanto os números de infectados iam escalando. E escalando. E escalando.

Quantas pessoas adoeceram e morreram em consequência de medidas como esta serem tardias? Como se podem sentir senão indignadas, injustiçadas e revoltadas as pessoas que lutam, com desespero, minuto a minuto, para salvar outras pessoas de morrer, diante da forma como se tardou demais a tomar uma medida como esta, indispensável para se lutar contra a pandemia?

Amanhã fecham as escolas. Mas já nem isso parece chegar. O que é preciso mais para que muitos, entre todos nós - que a desafiam, de forma irresponsável - olhem a pandemia como uma catástrofe que é, também, sua, que nos dizima, a todos, dia após dia? Talvez, agora, fique mais claro (para todos) que, diante duma pandemia, o único lugar seguro é o bom senso.

Amanhã fecham as escolas. Todas as escolas! Mas há um sentimento (agreste) de existir qualquer coisa próximo do tarde demais nisto tudo. Num país onde há gestos de humanidade a sucederem-se, todos os dias - na saúde como na educação, por exemplo - percebemos, hoje, que os gestos de humanidade começam quando se aprende a escutar. Quando se sente a dor dos outros em nós. Quando se ousa cuidar. Amanhã, para muitas pessoas, pode ter sido, já, tarde demais.

 

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