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As crianças com máscara serão as mesmas, de todos os dias?
a vida em estado de sítio: 31

As crianças com mais de 6 anos vão ser obrigadas a utilizar máscara nos estabelecimentos de ensino. Frequentem a escola ou um ATL. Andem de transportes públicos ou entrem numa loja.

Todas as estratégias que protejam as crianças são bem-vindas! É claro que o uso de máscaras, a "etiqueta" respiratória e a lavagem das mãos são cuidados indispensáveis. Por mais que eu receie que muito ênfase no uso de máscara possa "escorregar" para que elas pressuponham que a lavagem das mãos, por exemplo, passe para um plano secundário. Mas centremo-nos no uso de máscaras.

As crianças com mais de 6 anos, em condições normais, voltarão à escola em Setembro. Logo, estas normas farão, hoje, mais sentido para os jardins de infância e para os ATL’s. Parece-me claro que as crianças que tenham 6 anos - e que, brevemente, regressem ao jardim de infância - não serão abrangidas por elas, uma vez que, numa mesma sala, não faz sentido que convivam crianças com máscara e crianças sem máscara.
Por mais que haja quem afirme que as crianças, com o tempo, se "adaptam" ao uso de máscara, isso não se dará, instantaneamente, sem muitos "maus usos" e sem alguma "resistência" por parte delas.
O uso de máscara não é cómodo. E é razoável imaginarmos que traga dificuldades para a maioria das crianças, sobretudo quando se tornar uma rotina de todos os dias, a todas a horas. Aliás, como acontece com muitos adultos. E haverá muitas que as tenderão a usar de forma muito "pessoal e particular". Deixando exposto o nariz, por exemplo. Usando-a de forma mais conveniente, quando percebam que são advertidas. Mas "contornando" essa obrigatoriedade em inúmeras circunstâncias em que não tenham um adulto a tutelar o seu uso.
O tempo em que as crianças de 6 anos, quando entrarem no 1º ano de escolaridade, estarão de máscara e a altura em que a devem substituir não está mito nítido. Se considerarmos Setembro, compreende-se o uso de máscaras por crianças com mais de 6 anos. Mas não deveria ser claro, já "amanhã" (e depois disso), quantos alunos com máscara é suposto que uma turma tenha, em quantos metros quadrados de sala e com que rotinas escolares, de recreio e de alimentação, por exemplo? Até porque, em função de normas de segurança estritas, haverá creches, jardins de infância e algumas escolas que, mesmo quando as crianças tenham máscara, talvez não reúnam condições para reabrir. Não estaremos a pôr muito ênfase nas máscaras e a presumir que todos os jardins de infância (e, depois, as escolas) terão o espaço, os recursos e o pessoal indispensáveis para que as crianças convivam, já "depois de amanhã", com uma situação que precisa (toda ela) de ser esclarecida, para descanso de todos nós?
Voltemos ao uso de máscara por crianças com mais de 6. Quem tutela se ela estará (ou não) em condições de continuar a ser usada? A escola; presume-se. Que vai precisar de criar rotinas a esse nível. E que precisará de ter lotes de máscaras para que todas as crianças as substituam, sempre que necessário. O que não será fácil, suponho. Porque, por vezes, a escola nem sempre dispõe de verbas para o papel higiénico, por exemplo.
A forma como as crianças irão usar a máscara no recreio e no brincar tenderá a não acabar num "casamento" feliz. Será normal que retirem a máscara, quando correm e quando jogam... ou quando caem. Ou quando estão no meio de uma actividade desportiva. E é natural que, estando elas descontraídas, no calor de uma "briga", não meçam os gestos de protecção. E que se toquem. Ou que respirem umas para cima das outras. Isto é, que sejam iguais a si próprias: livres, afirmativas e descontraídas.
Não nos podemos esquecer, também, que aprender com máscara e sem ela não será a mesma coisa. Primeiro que a aprendizagem de uma criança, na sua versão "com máscara", se dê, ela vai precisar de algum tempo. E dependerá, muito, de criança para criança. Acresce que as crianças com perturbações de comportamento ou crianças com maior sofrimento psicológico, tenderão a aceitar a máscara com algumas dificuldades.
O uso da máscara, por parte de uma criança, dependerá, muito, do uso de máscara pelos seus pais e pelos seus professores. Logo, haverá situações em que estaremos a exigir-lhes uma coisa e a dar-lhe, como exemplo, outra, diferente. E recordo que, considerando as crianças de menos de 3 anos e aquelas que têm menos de 6, ter educadoras e auxiliares de educação com máscara, com luvas e com comportamentos de distanciamento não será razoável. Sobretudo, quando se tem menos de 3, e se procura encontrar um nexo entre aquilo que se diz com a boca e aquilo que se diz com os olhos. Ou se procura encontrar no toque e no corpo de uma educadora uma continuidade entre o que recebem em casa e aquilo que procuram na escola.
Voltando às crianças com menos de 6 anos, fica claro que elas não usarão máscaras. Até porque, quando são muito pequeninas, poderão ter grandes dificuldades para respirar. Logo, os riscos de que correm serão maiores. Acima de tudo porque o numero de profissionais indispensáveis para que a escola funcione adequadamente é, como todos sabemos, "acanhado", considerando as reais necessidades e uma tutela mais atenta que o seu uso deve merecer.
Compreende-se que os cuidados de saúde nos possam encaminhar para algumas soluções como, agora, o uso de máscara. E nem sempre considerem (ou consigam sintetizar numa norma) a realidade do comportamento de todas as crianças. Sendo que quando elas têm 6, ou 12, 13 ou 14 a disciplina com que vivem estas normas e o seu comportamento diante delas é, seguramente, muito díspar.
Devemos ser "contra" as máscaras? Não! Mas, da mesma forma que se disse e repetiu (quando a saúde colocava reservas em relação ao seu uso, por todos nós), as máscaras não nos deverão sossegar como pais. Quando muito, servirão para atenuar um bocadinho os nossos medos. Irão ajudar, claro. Mas a nossa atenção e o nosso bom senso de pais precisará (ainda!!) mais de nós. Até porque há outros aspectos - fundamentais - a carecer de explicação a propósito da abertura em segurança das creches, dos jardins de infância e das escolas.As crianças com máscara serão as mesmas, de todos os dias?

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