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Creche de costas voltadas para as crianças
a vida em estado de sítio: 36

As crianças até aos 3 anos vão poder regressar às creches, a partir do dia 18. Devem descalçar-se à entrada. Manter uma distância física de dois metros entre cada criança. E estão "impedidas" de interagir entre si. Estão, também, proibidas de levar brinquedos de casa. E é-lhes recomendado que não partilhem os brinquedos da creche. Todo o material em que tocam deve ser "unipessoal e intransmissível". As educadoras e as auxiliares de educação estão obrigadas a usar máscara cirúrgica. As janelas e as portas devem estar sempre abertas. As mesas da sala não podem estar dispostas em U. E as crianças devem estar de costas umas para as outras.

Por outras palavras, considerando as crianças até aos 3 anos que frequentam as creches, a Direcção Geral da Saúde, "recomenda" que, para sua segurança, elas não sejam crianças. E que os seus amigos, de todos os dias, com quem brincavam e interagiam, passem a ser equiparáveis à condição de estranhos. E que as suas educadoras deixem de "contaminar" "os seus meninos" com carinho e com bondade e passem, sobretudo, a ser "entidades reguladoras" da assepsia de uma sala. E, sempre que as sentem desconsoladas e a chorar, as sosseguem a 2 metros de distância. E que, tomando os pais em consideração, que a saúde mental dos seus filhos não se transforme num bem de primeira necessidade.

É verdade que, em tempos de pandemia, agradecemos recomendações que, considerando os perigos com que vivemos, nos protejam a todos. E aos mais "frágeis", em particular. Mas como se pode, de forma sensata e esclarecedora, recomendar que as crianças até aos 3 anos se evitem tocar, evitem tocar em superfícies e, de certa forma, evitem tocar nas sua educadoras? Ou como se pode entender que interajam de costas umas para as outras e que brinquem sozinhas? E que sentido tem recomendar-se que todo o material em que tocam seja "unipessoal e intransmissível", quando aquilo que se espera de uma creche é que lá, não só elas estejam protegidas, mas que alarguem o seu horizonte de figuras "maternantes" a mais pessoas e que brinquem umas com as outras, dividindo aquilo com que brincam e descobrindo-se na forma como se repartem?

Aquilo que a DGS parece recomendar às crianças que vão para a creche será: "Afasta-te! Não toques! Vira-te de costas! Não brinques!" Com sugestões destas não seria mais prudente (e honesto) afirmar que, considerando a sua segurança, se recomenda que as crianças não frequentem a creche?

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