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Mãe, porque é que não vamos à rua?...
da série: a vida em estado de sítio, 2

Desculpem, mas os pais têm direito à indignação. Em relação às pessoas que nos recordam, todos os dias, que os nossos filhos não estão de férias. Não estão! Até porque, como sabem, férias não são, para eles, verem-nos aflitos a correr todas as farmácias para comprar 1 (!!) frasco de álcool. E férias não são respondermos 100 vezes, ao longo de um só dia, sempre à mesma pergunta: "Mãe, porque é que não vamos à rua?..." Nem são férias dizer-lhes, insistentemente, enquanto trabalhamos a partir de casa, que não podem ver desenhos animados o dia todo. Que não podem fazer jogos de vídeo o dia todo. E que não podem correr pela sala e saltar por cima dos sofás!
Mas não estando os nossos filhos de férias, eles também não estão na escola. Nós agradecemos (muito!) os cuidados da escola! E tentamos fazer a ponte entre ela e a família. Mas reconhecemos que, enquanto tentamos trabalhar, nos vimos, muitas vezes, atulhados com mais trabalhos de casa, muitos trabalhos de casa, imensos trabalhos de casa! Como se em vez de uma quarentena vivêssemos duas: a "legítima", que nos impede de sair; e a da "escola", que quase nos "proíbe" de viver (nos pouquinhos minutos que restam da junção acrobática do trabalho, partindo de casa, e dos trabalhos que nos chegam, diariamente, para os nosso filhos).
Não é ingratidão! Mas, desculpem, neste momento:
- Em primeiro lugar, está a nossa função de pais. Estarmos vivos! Protegê-los. Sossegá-los. E acarinhá-los.
 - Depois, temos a obrigação de aproveitar todos os pequenos pormenores desta catástrofe para os educarmos para a humanidade.
 - E, finalmente, vem a escola. Não é tele-trabalho; são trabalhos de casa! Será um bocadinho mais de trabalhos de casa do que aqueles se têm ao fim de semana. Trabalhos diários, sim. Mas, por favor, nada mais que isso! Sob pena de, ao contrário daquilo que o nosso reconhecimento recomenda, sentirmos a escola a impor-nos duas quarentenas numa só. O que, desculpem a indignação, nem os nossos filhos, nem nós (nem a escola!) merecemos.

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