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Não amo os rankings!
Nem a forma "fácil" como parecem ser interpretados

Porque é que eu não morro de amores pelos rankings? Porque comparar escolas privadas e escolas públicas como se estivessem em pé de igualdade não é leal. Sobretudo quando todos sabemos que a condição social dos alunos influencia e distorce os seus desempenhos escolares. E seleccionar alunos à entrada (e, por vezes, convidá-los a sair), e aceitar, sem reservas, todos os alunos, sejam quais forem as suas dificuldades, introduz factores de disparidade muito, muito grandes quando se trata de comparar resultados. Como também não é uma justiça por aí além comparar-se uma escola pública de um meio urbano com outra que acolhe crianças de bairros muito degradados. Como também é muito diferente comparar resultados nos exames de escolas que, desde 2013, por exemplo, dão aos seus alunos 3 valores, em média, acima das notas que eles têm nos exames, com escolas que não têm essas práticas batoteiras.

Seja como for, o que nos dizem os rankings é que as escolas privadas preparam melhor para os exames e que as escolas públicas preparam melhor para os percursos directos de sucesso. Isto é, acolhem um aluno no início de um ciclo e levam-no até ao fim sem reprovações, sem abandonos, sem transferências e com sucesso nos exames do 12º ano, por exemplo. Em condições normais, as melhores escolas serão aquelas que conciliam os percursos de sucesso com os melhores resultados nos exames. E não deixa de ser curioso que os dois rankings não batam certo. Ainda assim, em relação a esses dois rankings devíamos, um dia, perguntar quantas destas escolas serão Escolas Amigas da Criança. Preocupadas com o espaço da escola, com os projectos inovadores que ela promove, com os recreios, com a qualidade da alimentação, com os projectos cívicos, com a relação entre a família e a escola, etc. etc. Porque será nesse triângulo entre as escolas amigas da criança, as escolas atentas aos percursos directos de sucesso e as escolas que preparam para os exames que ficará, provavelmente, a melhor escola possível para os nossos filhos.

Certificar a partir dos rankings é mentir. Porque esta ilusão numérica de que as escolas boas são aquelas que estão em primeiro lugar porque os seus alunos são mais inteligentes porque têm melhores notas nos exames não é verdade! Por acaso alguém pergunta como é que se chega a certas notas? E com quantas horas de explicações, com quantas aulas suplementares, com que níveis de hipoteca da adolescência que não se vive e, muitas vezes, com que índices de agitação, de angústia e com que consumo de fármacos?

E os rankings dos alunos, que acabam por ser os quadros de honra e os de excelência, não são diferentes. Eu gosto da competição entre a miudagem, de acordo? Gosto da rivalidade. E da ambição. E da garra com que se vai a jogo e se luta por aquilo em que se acredita! Mas um ranking dos melhores faz com que a escola dê a entender que:“Estes são os alunos em relação nos quais nos revemos”. Que é uma forma dela dizer, por outras palavras: “os outros estudam cá mas os seus resultados não têm assim tanto a ver connosco”. Fantástico!!! Isso não é uma forma de dizer que há "filhos e enteados”? Que uns têm o dever de se sentir em casa, quando estão na escola, e que os outros têm o “direito de visita”?
Os bons alunos não tiram sempre boas notas. Engasgam-se. Enganam-se. E tem insucessos, de vez em quando. Os bons alunos são aqueles para quem errar é aprender. E são aqueles que distinguem repetir de discorrer e pensar sobre os conhecimentos. São os que não só nunca “matam a curiosidade” como a apimentam a ponto dela se transformar na genica com que se pergunta, se põe em dúvida e se formulam problemas. E que pegam nos conhecimentos e os transformam em utensílios com que criam e se recriam. Afinal, considerando os alunos - que são todos aqueles a quem escola consegue ensinar o privilégio de aprender a aprender - os rankings certificam-nos de quê? Medem os rankings o nível de amor pelo conhecimento que a escola preservou e avivou? Medem os rankings o nível de paixão com que a escola se vive? São preditores do futuro? Será uma escola, sobretudo, amiga dos rankings, amiga do conhecimento e das crianças?

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