Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
Não gosto da escola nas férias!
Porque é que as crianças, quando mais deviam amar a escola, mais parecem ter com ela uma relação difícil?

Esta é a altura em que os pais que têm crianças mais pequenas vão de férias. Muitas vezes, preocupados com o último mês de "escola". Porque, ao contrário do que se prometia - as actividades são livres, convive-se, brinca-se e corre-se, o tempo todo - é, justamente, esta a  altura em que os nossos filhos, quer estejam no jardim de infância como nos primeiros anos do ensino básico, afirmam mais vezes que não gostam da escola, que agradecem se não tiverem de lá ir e que passam o tempo a perguntar se falta muito para as férias. Por outras palavras, porque é que as crianças, quando mais deviam amar a escola, mais parece terem com ela uma relação difícil?

Porque ter a mesma educadora ou a mesma professora - cujo estilo, ritmos e coordenadas na sua relação com as regras são claras - é muito diferente de estar à guarda de professoras que se conhecem "de vista" ou de auxiliares de educação com quem não se construiu uma "química" como deve ser, ao longo de muitos meses.
Porque repartir o espaço de um recreio com 19 ou 20 colegas da mesma idade - e que se conhecem tão bem que, muitos deles, serão, sobretudo, amigos - não é o mesmo que o repartir com 40 ou 50 outras crianças, de idades diferentes.
Porque a forma como se estruturam os pequenos grupos, ao longo de um ano, leva um safanão, súbito, no último mês, que faz com que uma pessoa já não saiba da mesma maneira qual é "o seu lugar", qual é "o seu estatuto" e até onde pode ir, sempre que se trata de "pisar o risco", de desafiar, de rivalizar ou de competir.
Porque, de repente, há um "galifão" de 5 anos que nos chama "bebé chorão", com os nossos amigos de todos os dias a fazer claque, e não aparece ninguém que faça de "corpo de intervenção" a pôr os “maus” todos na ordem.
Porque, quando uma pessoa pensa que pode chamar a educadora ou a professora, os "anjos da guarda" parecem ter, também, direito a férias e, de repente, uma pessoa sente-se só e desamparada mas, todavia, no recreio, a poder brincar o tempo todo e com a mãe, a seguir (esperando um "sim!!!" do tamanho do mundo) a perguntar: "Correu bem a escola?…" a que só apetece dizer: "Não!".

Ou seja, este tipo de reacção do seu filho mais pequenino não pode levar os pais a ponderar sobre a qualidade da escola, sobre se estão bem ou estão mal quando a frequentam ou se não devem pensar melhor numa mudança. Se a reacção do seu filho tiver sido assim não se assuste. Isso quer dizer que estamos todos - ele, também - a precisar de férias. O que ele acaba por querer dizer é que estas mudanças no mesmo sítio de sempre, sobretudo quando uma pessoa se sente em casa, não vêm mesmo nada a calhar. 

subscreva