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Não há adaptações boas à escola
Esta é a realidade

Deixemo-nos de coisas: não há adaptações boas à escola. Isto é, as crianças nunca se adaptam à escola sem medo e sem dor. Por mais que não chorem nem se debatam e estejam tão “encolhidas” que tudo o que é novo pareça um “passeio”. Porque a escola implica que ela conviva com pessoas que, por mais simpáticas que façam por ser, nem sempre têm um olhar tão acolhedor e tão bondoso como as crianças desejariam. Porque a escola implica que elas estejam quietas e caladas e que cumpram regras que, até elas as conhecerem, leva a que as crianças errem, sobretudo, mais do que acertem. Porque aqueles que virão a ser os seus amigos são meninos tão assustados como elas que, por isso mesmo, não são nem simpáticos nem brincalhões. Porque têm de estar horas e horas - quase intermináveis, à escala daquilo que é o tempo para as crianças - à espera que os pais as “resgatem”, sempre com um bocadinho de medo que eles se esqueçam de vir. Porque aquilo que elas julgavam saber será, ao cuidado de outros professores, diferente, esquisito ou, até, “agreste”. E porque a escola insiste, teimosamente, que devem ser as crianças a adaptar-se a ela mais do que a escola a adaptar-se às crianças. Como pode uma escola tão pouco disponível para se adaptar às diferenças - e, já agora, lucrar com elas - esperar que as crianças se adaptem a ela, sem sobressaltos quando ela parece dar a entender que nem sequer dá conta do quanto ganharia se se adaptasse a elas? Será que alguém se adapta a alguém sem que duas pessoas se adaptem uma à outra, ao mesmo tempo? Se for assim, talvez fique mais claro porque é que as crianças se adaptam mal à escola: nem sempre a escola se adapta a elas.

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