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O fim do mundo está a chegar!
E, receio, que estejamos todos demasiado "ocupados" para impedir

O mundo, tal como o conhecemos, acabou! Os nossos filhos já não lêem jornais e não vêem televisão. Hoje, serão (mais vezes do que seria o nosso) seguidores. As pessoas que gostaríamos que eles admirassem foram substituídas por influenciadores. Por mais que nós, os pais, ainda nos assustemos com "as más companhias" - "as más influências"... - que possam ter, eles, na verdade, trazem-nas no bolso. E limitamos-lhes as saídas e queremos saber quem é o seu grupo, por mais que lhes permitamos, sem controle, que circulem pelos sites e pelas redes sociais mais diversas, criando perfis em idades em que não os deviam ter e "consumindo" alguns YouTubers que jamais permitiríamos que fossem seus amigos.

O mundo, tal como o conhecemos, acabou! No mundo dos pais, continua-se a ser contra os desenhos animados violentos. Mas as crianças estão "mais à frente" e, com a nossa complacência, consomem, viciam-se e ficam "agarradas" a Fortnite (ou a outros videojogos), de manhã, à tarde, à noite... e de madrugada!

O mundo, tal como o conhecemos, acabou! Agora, no mundo onde crescem os nossos filhos, procura-se a notoriedade, a qualquer preço. E nós, os pais, contribuímos, vaidosamente, para isso (mais do que parece), como se, em relação a eles, "dar nas vistas" e "pensar pela sua cabeça" fossem, quase sempre, a mesma coisa. Neste "novo" mundo, é-se contra as drogas. Mas as crianças consomem-nas (como nunca). Para adormecerem, para terem apetite, para não estarem tristes ou para serem atentas. E confunde-se (muitas vezes!) felicidade com euforia e amor pela verdade com pessimismo. E prevalece uma ideia fácil de crescimento, que parece fazer da determinação, da perseverança, da paciência, da tenacidade, do arrojo e da garra produtos quase jurássicos.

No mundo dos nossos filhos, o mundo do pós-guerra acabrunhou-se. O mundo dos valores da Humanidade. O mundo da cooperação e da solidariedade. E o mundo da mestiçagem e da inclusão. E eles têm, hoje, a noção que o mundo que lhes estamos a deixar é um mundo espremido de recursos. É um mundo perigoso e com o ambiente a colapsar. Das mais profundas desigualdades sociais. E é um "mundo doente mental", que justifica as mudanças com argumentos inteligíveis e as promove com atentados à inteligência.

Acho graça, portanto, que nos alarmemos quando os nossos filhos parecem apáticos e evitam pensar o futuro. Porque é que - ao contrário dos pais, quando eram adolescentes - os nossos filhos não se sentem desafiados por ele? Porque têm a noção que o futuro pode ser pior. E porque sentem e intuem que, faltando recursos e ideias para mudar o mundo, falta futuro: para a saúde, para a educação, para a justiça e para os direitos sociais. Como podem amar o futuro se ele lhes parece um lugar inseguro e opaco? Como podem fazer de forma diferente se nós, em vez de conversarmos com eles e de definirmos, escutando-os, aquilo em que estamos a trabalhar para o seu futuro, permanecemos alheados e em silêncio?

O mundo, tal como o conhecemos, acabou. Mas os nossos filhos são miúdos melhores! E estão ávidos de ter quem lhes fale verdade e de quem os desafie, em nome daquilo em que acreditam, a irem em peregrinação até ao futuro. É aqui que a escola pode rasgar o marasmo e dar, uma vez mais, "o exemplo". Ensinando a estudar. Ensinando a escutar. Ensinando a argumentar, a discutir e a pensar. E não lhes roubando a alma, a audácia, o arrojo, o apreço e a bondade. É pela forma como se irá definir a escola, pensando o futuro, que o mundo - que, tal como o conhecemos, já morreu - pode renascer. Melhor! E que os professores podem, uma vez mais, contribuir para que o mundo mude! Por isso, os nossos filhos precisam que a escola os eduque e os ensine pensando mais longe. Para que, depois do "fim do mundo", o mundo do futuro seja feito de pessoas melhores!

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