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Por uma Escola Amiga das Crianças
Para uma escola de rosto mais humano

A prova de que a democracia nunca terá merecido, até hoje, o carinho e o respeito que lhe são devidos, vê-se na forma como, desde há mais de 40 anos, nunca a educação mereceu o empenho dos partidos políticos e das instituições democráticas no sentido de se estabelecer um pacto de regime acerca daquilo que se espera do jardim-de-infância e da escola. E sem nos interpelarmos acerca de tudo aquilo em que a escola fica aquém daquilo que queremos que ela traga aos nossos filhos, hoje e no futuro, a democracia adoece. Se o mundo muda de dentro da escola para fora dela, é verdade que sempre que a escola aceita e acolhe um mundo em mudança, o interpreta e o interpela, muda, transforma-se e cresce com ele.

As crianças entram na escola a perguntar porquê. E, duma forma incompreensível, perdem, muito depressa, o engenho de pôr perguntas, de pôr em dúvida e de questionar. Ao contrário daquilo que, passivamente, se vai aceitando, a escola não serve, sobretudo, para se entrar na universidade. Serve para humanizar. Serve para educar. Serve para disciplinar e para libertar. Serve para descobrir que a sabedoria se costura com os erros e nunca à sua margem. Serve para aprender. Serve para pensar. Mas serve, sobretudo, para aprender a perguntar. De preferência: porquê?

Em consequência de muitos constrangimentos da nossa história recente, e também como resultado da forma como a escola se foi organizando na sua relação para connosco, talvez evitemos, vezes demais, colocar as perguntas que ela merece e exige da nossa parte para que possa transformar-se. E, sobretudo, para que se reinvente. Reformulando práticas, conteúdos e parcerias. E para que, ao recriar-se, se torne mais amável para as crianças e mais amiga do futuro.

É por isso que a iniciativa ESCOLA AMIGA DAS CRIANÇAS, da Confederação das Associações de Pais - CONFAP, traz consigo uma aragem contagiante de cidadania e de democracia. Porque transforma a escola e a torna num lugar aberto. E a torna de todos. Uma escola onde os pais deixem de encontrar na tutoria do Estado os argumentos indispensáveis para a sua passividade. Uma escola onde pais e professores deixem de se responsabilizar, em surdina, por tudo aquilo que entendem ir mal com ela, e passem a comparticipar, numa pareceria solidária, nas soluções que, em conjunto, conseguem encontrar. Uma escola que deixe de ser às bolinhas amarelas, vermelhas e verdes e que não se resigne a sinalizar comportamentos mas que se empenhe, com garra, a contribuir para a sua própria mudança.

Em que é que consiste a ESCOLA AMIGA DAS CRIANÇAS? Na emissão anual de um selo de qualidade, que tome em consideração um conjunto de critérios de avaliação distribuídos por seis categorias com áreas de avaliação que fogem aos rankings: a formação cívica; os espaços de recreio e de convívio; a alimentação, a higiene e o ambiente; a segurança; o envolvimento da família e da comunidade educativa; e os projectos extracurriculares que contribuam para que a escola seja mais e melhor escola.

Uma ideia passa por desafiar as associações de pais a olhar, de forma crítica e construtiva, para as suas escolas, e a avaliá-las em aspectos que, aos olhos de muitos, poderão parecer supérfluos mas que, levados a sério - e em parceria com os outros recursos, humanos e materiais, da própria escola - contribuam para transformar a escola. Dando-lhe um rosto (sempre!) mais humano.

É por isso que eu entendo que uma iniciativa como esta que a CONFAP promove é uma forma de demonstrarmos aos nossos filhos que é com bons exemplos que se educa. E que só quando os pais lutam por mudar o mundo, tornando-o melhor e mais justo, e lutam para que ele tenha um rosto humano, é que os filhos assumem a mudança como um compromisso que se torna seu, sendo, por isso, amigo do futuro.

Chegará o dia - e será já amanhã - em que os pais escolherão cada vez mais as escolas que ostentem o selo ESCOLA AMIGA DA CRIANÇA, relativamente ao último ano lectivo, para os seus filhos. Chegará o dia - e será já amanhã - em que, a par do empenho na melhoria dos seus resultados escolares, as escolas vão considerar urgentes e inadiáveis todas as medidas que as tornem mais amigas das crianças e vão ostentar, à entrada, o selo ESCOLA AMIGA DA CRIANÇA. Chegará o dia, porque existe um selo anual ESCOLA AMIGA DA CRIANÇA, em que os pais e os professores vão cooperar duma forma como talvez nunca o tenham feito e, em conjunto, serão uma inspiração e um desafio para que o Ministério da Educação, em todas as suas medidas, seja, ele próprio, mais amigo das crianças. Chegará o dia - e será já amanhã - em que os rankings (que, de forma sensata, poderiam ter uma função que, hoje, não têm) deixarão de ser estratégias de marketing e de concorrência desleal, ou formas de acarinhar a desonestidade, de corromper resultados e de incentivar a batotice como, tragicamente, para muitos, e com o patrocínio de alguns pais, eles se têm tornado. E, com a inspiração da ESCOLA AMIGA DA CRIANÇA voltem a empenhar-se a reivindicar para si a lealdade, o respeito e os bons exemplos que exigem aos filhos e à escola quando se trata de aprender.

A prova de que a democracia existe e que há quem não desista de a aprofundar está neste gesto dos pais, em nome das crianças e da escola. E chegará o dia - e será já amanhã - que instituições, partidos políticos e cidadãos não deixarão, também, de o reclamar. Por inspiração dos pais!

Chegará o dia - e será já amanhã - que, com uma iniciativa como esta, se irão aprofundar e alargar nos critérios que tornem, todos os anos de forma melhor, a escola mais amiga das crianças. E que em nome delas, e por causa delas, os pais guardem para si o orgulho de mudar o mundo. Com pequenos gestos e de forma simples. Demonstrando-lhes, com a ajuda da escola, que é quando nos unimos em redor do essencial que, todos juntos, fazemos das mudanças mais difíceis revoluções tranquilas.

 

 

+ info: a primeira edição da ESCOLA AMIGA DAS CRIANÇAS foi lançada no dia em que a CONFAP comemorou 40 anos e decorrerá durante o corrente ano lectivo.  A esta iniciativa podem concorrer todas as escolas portuguesas, públicas ou privadas, do ensino pré-escolar de 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, cabendo aos Directores de Escola/Agrupamento, Professores e Associações de Pais o papel de submeterem a ideia a concurso. O período para o envio das ideias decorre de 20 de Novembro de 2017 a 23 de Março de 2018. A 10 de Maio de 2018 serão anunciadas as escolas distinguidas e, a 30 de Maio, apresentadas presencialmente as propostas para eleger o 1.º prémio ESCOLA AMIGA DAS CRIANÇAS, que será divulgado a 1 de Junho de 2018. A entrega dos prémios às Escolas Amigas da Criança terá lugar no mês de Setembro de 2018. A análise e selecção das candidaturas submetidas será da responsabilidade da Comissão de Avaliação, que será constituída por elementos de prestígio que desenvolvem trabalho reconhecido no âmbito da educação e da defesa dos direitos da criança. Todas as informações acerca desta iniciativa poderão ser encontradas em https://goo.gl/TsRLZj, que traduz o empenhamento da LeYa Educacao no compromisso social que a sua tarefa editorial também exige.

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