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Salvem-nos das “boas notas”!
Notas em tempo de quarentena

Mas ninguém se preocupa com as notas em tempos de quarentena? Será que é "normal" que os nossos filhos tenham passado a ter melhores notas, mesmo quando (muitas vezes) elas surjam com o telefone a fazer de "cábulas", com avaliações individuais a serem quase transformadas em "trabalho de grupo" e com alguns pais a darem "ajudinhas", em muitos testes? Será que, depois disto, vamos continuar a acreditar nas notas ao nível do "algodão não engana", como se, porque eles melhoraram as notas isso quisesse dizer que a escola, em pandemia, até "funcionou" e que em quarenta eles aprenderam melhor?

A escola precisa da avaliação para "aferir" o aprender. Mas estudar para as notas, estudar para os testes e aprender nem sempre se alinham. As notas sempre dependeram demais dos resultados dos testes. E os testes dum trabalho de equipa (onde se incluem os pais e o exagero de explicadores que os nossos filhos têm). Mas, em cima disso, este aprender, em quarentena, não poderá ser enganoso?

As notas, ao contrário daquilo que o coração dos pais tanto quer, nem sempre querem dizer que melhores notas serão sempre mais inteligência. Até por elas, devagarinho, vinham a ser "puxadas para cima". Os filhos serão, hoje, realmente, mais inteligentes que os pais, vivem (muito mais) a escola "como deve ser", ou a forma como os avaliamos estará, simplesmente, "inflacionada"? Mas - e com a quarentena - vamos assumir que os nossos filhos são como o algodão?

A avaliação em tempos de quarentena não tem como ser uma avaliação "normal". Não se reconvertem práticas de avaliação de muitos anos de um dia para o outro. A avaliação em tempo de pandemia é só mais um pormenor que nos deve obrigar a ponderar que verdade se coloca em cada nota que se atribui. Sob pena de termos alunos bem classificados. Grande parte deles com notas mais altas do que tinham, antes da quarentena. E com conhecimentos cada vez mais frágeis.

 

Artigo completo publicado originalmente em 

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