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Salvem-se os professores
Como pode um professor desmotivado motivar?

Existem, em Portugal, 145 549 professores. 22 000 usam medicação em demasia*. 9 000 consomem drogas e álcool em excesso*.

53% revela índices de realização profissional média ou baixa
85% manifesta alguma ou muita despersonalização
47,8% expressa sinais preocupantes, críticos ou muito definidos de exaustão emocional
84,2% detém índices altos ou muito altos de desejo de reforma antecipada
55% expressam índices altos ou muito altos de stress laboral*

91% considera que, nos últimos anos, diminuiu o prestígio da sua profissão
84% verbaliza que a sociedade não valoriza os professores
85% assinala que o Ministério da Educação não valoriza o seu trabalho 
80% sentem que diminuiu, nos últimos anos, a sua autonomia e o seu poder de decisão
31% expressa que não se sente motivado para ensinar
60% defende que os alunos agora estão mais desmotivados;
87% expressa que diminuiu o tempo e as condições que os professores têm para refletir sobre as suas práticas educativas**

1,5% dos estudantes de 15 anos – a maioria dos quais com desempenhos abaixo da média – admitem ser professores no futuro***

Como se pode dar a conhecer e arrebatar para o amor pela escola quando os professores vivem neste registo?
Como pode um professor desmotivado motivar?
Como pode qualquer reforma da educação, seja ela qual for, ter sucesso quando quem a constrói, todos os dias, se sente, indefinidamente, ao desamparo?
Como podemos esperar que um professor se transforme numa pessoa da família, para os nossos filhos, e os oriente com a sua paixão de conhecer quando os professores não se sentem realizados, se acham desconsiderados e vivem exaustos?
Como pode um professor ensinar e educar sem sequer ter tempo para estudar, para discutir e para aprender?
Como pode alguém preocupar-se com a educação sem se preocupar com os professores?
Como é possível que a escola desconheça os professores, não se reconheça nos estudantes e acarinhe o conhecimento?
Como pode a escola transformar-se e a educação ter futuro sem que se olhe, com olhos de ver, pelos professores?

Se o mundo se democratizou e conquistou um rosto humano a culpa é da escola. E como não há escola sem professores, é deles a responsabilidade da mais fantástica revolução tranquila que a Humanidade já conquistou. Querer um mundo sem cuidar da escola e dos professores é uma calamidade pública. É como querer um jardim sem o plantar e cuidar.


*Inquérito Nacional sobre as Condições de Vida e Trabalho na Educação em Portugal, Raquel Varela, 2018
**As preocupações e motivações dos professores, Joaquim Azevedo (coord.), João Veiga, Duarte Ribeiro, 2016
***Estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), com base no relatório dos testes PISA 2015 da OCDE

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