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Será a escola "amiga" do bullying?
Os maus-tratos entre alunos são tão antigos como a escola

Tenho medo que se fale, hoje, de bullying como se, dantes, ele não existisse. E não é verdade. Os maus-tratos de uns alunos em relação aos outros são tão antigos como a escola. Não é tão frequente como se dá, por vezes, a entender. Não é, seguramente, epidémico. Mas existe em todas as escolas!

Seja como for, há muitas crianças e muitos adolescentes vítimas da violência dos pares. Seja da violência física, continuada. Como das ofensas, das injúrias e das ameaças frequentes de um aluno sobre o outro. Seja da violência por manipulação de um grupo persuadido e intimidado a ostracizar um colega. Seja da exposição de fotografias humilhantes, da organização de grupos de WhatsApp contra um determinado colega, ou da forma como se pirateia o seu correio electrónico e ele é divulgado.
Tudo se dá por inveja: das notas que ele tem, da sua forma de ser, da família que tem, etc. Por “mau carácter”, em função dum estar que, junto dos pais ou dos professores, parece ser “adulto”, “sonso” e “maduro” mas que, ao pé de um determinado colega, acaba por ser intimidante, ameaçador e manipulador (por mais que, “à vista desarmada” quem vitimiza e quem é vítima, muitas vezes, sejam tomados, por ambas as famílias, por “melhores amigos”). E dá-se, ainda, por doença psicológica, que leva a que algumas crianças muito perturbadas violentem, repetidamente, um colega mais sensível, mais “frágil” ou, simplesmente, mais “boa pessoa”.
Ainda assim, espanta-me a posição das escolas em relação ao bullying. Que é, muitas vezes, encolhida e medricas. E que, consoante a posição social dos pais dos alunos, retarda medidas disciplinares através de inquéritos intermináveis. Ou que, regra geral, “empurra” as medidas a tomar para que, chegados a Maio, se conclua que “Já estamos no fim do ano; logo, não vale a pena actuar”. Ou, por vezes, no outro extremo, transforma bulhas saudáveis em bullying, exorbitando funções e constituindo “tribunais escolares” onde um aluno, “arguido” de bullying é “julgado”, sumariamente, sem direito a “defesa” e, muitas vezes, sem os seus pais presentes.

Sejamos claros: sempre que existe violência em meio escolar a escola será co-responsável por ela. E os pais do aluno, mesmo que se façam de distraídos, muito mais “arguidos” do que ele próprio. Logo, a violência em meio escolar é uma ofensa; um crime. Que pode até nem merecer uma medida tutelar educativa. Mas merece que a Procuradoria da República a avalie e pondere medidas sensatas e firmes para a sinalizar. Que, quanto mais não seja pelo medo que despertam, devem servir de orientação para a escola e para os pais (que, se não agirem de forma clara, são coniventes, por omissão, dum acto grave). Sobretudo porque, do ponto de vista da vítima, o bullying pode comprometer, gravemente, a relação duma criança ou dum adolescente com a escola, com os pares e com a própria vida. Por muitos anos.

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