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Uma escola "às bolinhas amarelas"?
Por uma escola sem "bolinhas"

Começa a ser habitual que, mal as crianças saem da escola, pespeguem debaixo do nariz da mãe uma folha de papel com bolinhas verdes, amarelas e vermelhas. Em condições normais, no caso das bolinhas puxarem todas ao verde, isso talvez queira dizer: "portei-me bem!". Quando dão uma escapadela até à malandrice vem de lá uma bolinha amarela. O que quer dizer: "a minha professora, ralhou-me, mas eu faço a fineza de ainda gostar dela". Quando as crianças capricham na “palermice” salta uma bolinha vermelha. E aí a bondade da mãe logo se “escangalha”.

É claro que devíamos perguntar se será tão mau assim que os pais saibam como é que as crianças se portaram. E a resposta será: claro que não! E será, igualmente, mau que tenham uma opinião sobre o comportamento dos seus filhos, quando estão na escola, e que entendam fazer, junto deles, as considerações que só mesmo eles sabem fazer? Também não. Mas será bom que, todos os dias, haja bolinhas à consideração das mães? Não! E que, por vezes, elas já vão buscar os filhos quase “a fugir” para não serem confrontadas, como quem é repreendido, por qualquer bolinha que não seja verde, relativamente  ao comportamento dos seus filhos? Também não!! Mas, afinal, o que é que tantas bolinhas querem dizer? Que as mães devem zangar-se, antes de despirem o casaco, a propósito dum acontecimento que desconhecem, por completo? Que é suposto que se zanguem outra vez, "em cima" das coimas que as crianças já tiveram na própria escola? Que é razoável que levem o tal papelinho para casa e, mal o pai entre, se zangue outra vez? Ou que devem levar por diante um breve meeting de mães, à saída da escola, no sentido de compararem as bolinhas dos seus filhos e, mal entram no carro, vociferarem - como quem fala de um quadro de excelência de bolinhas - das bolinhas (sempre verdes!) do Manel ou da Isabelinha? Mas deve este furor de crianças exemplares e bem comportadas, que vivem debaixo do sufoco das bolinhas, ser levado por diante? Não devem as crianças oscilar nas bolinhas e não deve a escola gerir de modo próprio, guardando para os pais os comportamentos que são compulsivamente maus e aqueles que parecem ser, de forma exemplar, sempre bons (e só bons)?

Lá por ser "contra" as bolinhas, eu gosto duma escola que liga sabedoria com autoridade. Unicamente porque acredito, com convicção, que aquilo que distingue um professor fixe de um bom professor é que um bom professor, não deixando de ser fixe, lida com a autoridade de uma forma firme e serena, fazendo-a ancorar na sua bondade e no seu sentido de justiça. E, já agora, percebe que a sua sabedoria fica mais apetecível sempre que, em tempo real, define regras e limites e os leva a efeito duma forma, tendencialmente, coerente. E, sobretudo, num modo igual para todos. Mas, se é assim, porque é que precisamos tanto duma escola “às bolinhas amarelas”? Para fazer do comportamento diário dos nossos filhos um argumento para o seu “quadro de honra”? Não devia, unicamente, chegar que reconhecêssemos que as crianças saudáveis só não se portam mal, de vez em quando, na escola porque ou ainda não estão em casa ou têm tanto medo (de um professor ou da reacção dos pais às bolinhas) que acham que só lhes resta serem “exemplares”? E não devíamos dar uma bolinha amarela às escolas que, por distração, ainda não terão dado conta disso mesmo?

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