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Dá um beijinho à mãe!
Quando a adolescência "bate à porta"

Há uma altura da adolescência dos nossos filhos em que, quase de um dia para o outro, eles rejeitam os nossos abraços e chamam beijos a uma brisa que, de fugida, geram quando aproximam o seu rosto do nosso, sem nos tocarem, a partir da qual ficamos com a impressão de ter "picos". Essa atitude - áspera! - que eles têm, magoa tão fundo e dói tanto que nos deixa sem sermos capazes, sequer, de nos zangarmos.
É verdade que há muitos pais de adolescentes que condescendem com os caprichos deles. Primeiro, com divertimento. E, depois, com bondade. O que faz com que, por exemplo, muitos deles, os levem até à escola e os deixem longe da entrada, de forma a que cheguem com uma desenvoltura que não condiz com as dificuldades e a vergonha de não serem autónomos e que eles guardam só para si e para os pais. Mas com os beijos que eles não dão tudo dói muito mais.

O que é mais grave, é que muitos pais, respeitando a imposição de um adolescente, se adequam demais a estes "vícios de forma" passando a criar-se uma "norma" onde, dantes, existia, simplesmente, um gesto amoroso. É verdade que muitas mães - sobretudo, as mães - protestam, resmungam, vociferam e, regra geral, acabam, docemente, a pedir: "Dá um beijinho à mãe!…" Outras, porventura menos condescendentes, perguntam ao seu adolescente "ouriçado": "Mas, afinal, que bicho te mordeu?…", parecendo querer muito atribuir esse comportamento a uma espécie de vírus misterioso ou a um micróbio diletante que parece estar a estragar-lhe, todos os dias mais um bocadinho, um filho, "outrora", doce e meigo que, mesmo crescido, procurava o colo e não fugia às "festas".

A questão que este movimento assustadiço dos adolescentes talvez traga consigo será: mas, afinal, que "bicho" é este que parece atacar os adolescentes ternurentos, que se acompanha de mau humor e de atitudes impulsivas e acaloradas, por mais que pareça não se fazer acompanhar de febre, de vómitos ou de diarreia? E, já agora, a que antídotos devem os pais recorrer para que os "curem" rapidamente e sem recaídas?

Este lado "assanhado" dos adolescentes não é estranho à forma como a sexualidade parece "explodir", subitamente, e "desmantelar" os adolescentes, levando-os a que eles se assustem e não saibam, de todo, lidar com ela. Habitualmente, vivem com tal perplexidade a forma exuberante como “tudo” os parece tocar que só a ideia de um contacto corporal intenso e caloroso por parte da mãe, por exemplo (entre uma adolescente e o pai acontece o mesmo) leva-os a uma reacção alarmada e agressiva, até, que, no seu extremo mais hostil, faz com que alguns adolescentes limpem a cara, depois de um beijo, como se ele lhe despertasse repugnância ou nojo.

Na verdade, depois de um comportamento desses, um adolescente "ressaca". De tristeza e vergonha. E com um “nó na garganta”, que o impede de falar da sua dificuldade que se agrava mais e mais quando uma mãe insiste em saber os motivos de tão dolorosa novidade. O que acontece, "inevitavelmente", é que os pais, contrafeitos e doridos, se vão tentando adequar a esta imposição e, quanto mais o fazem, ao mesmo tempo que um irmão desse adolescente vai usufruindo de "doses" melhoradas de ternura de mãe, vai-se gerando um "fosso" que, passo a passo, leva a que o adolescente se vá sentido mais sozinho, mais incompreendido e mais áspero, claro.

Devem os pais insistir numa relação mais corporal, mais amiga do toque e mais preenchida de beijos, de abraços e de mimos com um adolescente que, de súbito, os passou a rejeitar? Sim! Mesmo que esse adolescente crie obstáculos e brinde os pais de momentos desagradáveis diante dessas abordagens? Sem dúvida. Sempre com o pressuposto de que ter opinião é uma benção, mas magoar os pais é que não. A tendência é que sejam, justamente, esses comportamentos mais firmes dos pais a ajudarem um adolescente a derrubar, aos poucos, os seus medos e a perceberem que a erotização que os assusta não atropela, senão por momentos, a relação que os filhos que têm com os pais.

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