Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
Devia ser obrigatório ter uma crise de adolescência todos os anos
Devia ser obrigatório arriscar

Devia ser obrigatório ter uma crise de adolescência, todos os anos. Reconhecer a distância entre aquilo que está mal e tudo o que desejamos para nós. Olhar para o corpo e dar uma arejadela àquilo que parece estático ou enfadonho ou que se repete e entedia. Perguntar pelos sonhos que se desencaminharam. E questionar os laços, as relações e os nós. E devia ser obrigatório perguntarmo-nos - mais vezes! - quem queremos ser. E avaliar para onde vamos e de quem precisamos para lá chegar.

E devia ser obrigatório arriscar. E, sobretudo, arriscar ter medo. E, só depois, arriscar arriscar. Para que, então - sim! - se arrisque amar.

E devia, também, ser obrigatório falhar. E ousar reconhecer que a melhor forma de sermos engolidos pelos falhanços é olharmos para o sucesso daquilo que fazemos antes, sequer, de olhar para o sentido que isso possa angariar para nós. E devia ser obrigatório comparar. Comparar e comparar! Aquilo que fomos com aquilo que somos. Aquilo que temos com tudo o que nos falta. E perguntar! Atulharmos a alma com porquês. E, só depois, ousar.

Devia ser obrigatório ter uma crise de adolescência. Todos os anos! E abandonar esta presunção - que há, quando se está pelos 14 ou pelos 15 - que a crise da adolescência é um vendaval de inquietações e que, depois, tudo sossega e se esclarece. Ou aborrece. Quem falou de crise para a adolescência está enganado. Olharmos por nós e, através do olhar de quem nos é indispensável, olharmos para nós não começa e acaba quando se é adolescente. Começa quando tem de começar. E termina sempre que se desiste. De perguntar.

subscreva