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Educar para a agressividade
Não é educar para a violência. É, exactamente, o seu contrário

A violência e os adolescentes têm sido notícia, regularmente. Soubemos que mais de metade dos adolescentes já passaram por situações de violência na escola. Mais de metade dos adolescentes terão sido vítimas de um acto de violência no namoro. E quase metade visitam websites com conteúdos considerados perigosos: imagens de violência contra pessoas ou animais, ou com mensagens de ódio baseadas na raça, religião ou nacionalidade.

Será que os adolescentes e a violência têm uma relação simples, como os números indicam? Eu acho que não!

Começando pelo princípio, terem curiosidade e querem informar-se ou serem "formatados" por esses sites serão coisas muito diferentes. Por outro lado, parece-me que medimos pouco as consequências das nossas omissões em relação à educação para a agressividade que, regra geral, todos parecemos desprezar. E, no entanto, a agressividade é um património da Humanidade. Faz bem à saúde. Serve para vencer o medo e as inseguranças. E para proteger ou para competir. Ora, se não educamos os nossos filhos para aprenderem a usar a agressividade com lealdade e com boas-maneiras, é normal que eles baralhem a agressividade, que é uma reacção inteligente e afectuosa à dor, com a violência, que é uma forma de a expiarmos, responsabilizando os outros, sobretudo, quantos somos pouco capazes de nos pormos em causa e de nos responsabilizarmos por ela.

Depois, educamos os nossos filhos para estarem sossegados, compenetrados e calados. Damos-lhes horas e mais horas de actividades escolares. E um ritmo de trabalho tão absurdamente stressante que nem medimos a forma como a violência "limpa", muitas vezes, o stress. E esquecemo-nos, de forma incompreensível, que as crianças saudáveis são perguntadoras, "cabeças no ar" e sofrem de "bicho carpinteiro". Ora, quanto mais tempo elas vivem fechadas e oprimidas mais se tornam impulsivas. É simples. Por mais que o resultado - veja-se o que acontece em muitos recreios de muitas escolas deste país - se veja naquilo que acontece quando elas saem para os "micro-recreios" de 5 minutos (!!!), que nós deixamos que eles tenham, porque, em muitos momentos, o nível de incompetência física, emocional e lúdica que têm entre eles é do domínio do assustador.

A seguir, deixamo-los entregues a telemóveis com dados, onde eles passam 2 a 4 horas por dia, a partir dos 9 anos. Conversando com pessoas que não conhecem, ou sendo expostos a conteúdos sexuais, pornográficos ou de bullying, sem o mínimo controle dos pais. Isto é, se não têm ninguém que faça de entidade reguladora seria de esperar que eles se auto-regulassem? Seria de esperar que eles não precisassem de ver a violência com os seus olhos para a escrutinarem e perceberem de que forma têm a ver com ela?

Depois, empanturramo-los de conhecimentos. Não lhes damos tempo para brincarem. Não promovemos tanta actividades física e contacto com o ar livre como precisam. Somos "contra!", sempre que se trata das escolas proibirem o uso do telemóvel em meio escolar. E confundimos, vezes demais, a educação com um "colete de forças".

Finalmente, permitimos (como se fosse uma espécie de "mau feitio") que os nossos filhos reajam, por vezes, com uma violência inacreditável em relação aos pais, tolerando toda a família que eles deixem de falar aos pais por tempo indeterminado, como se isso não fosse violência, violência e mais violência.

E, como se não bastasse, os pais são, muitas vezes, os últimos a saber das experiências de violência de que os seus filhos filhos são vítimas, sendo demasiado complacentes com a escola, sempre que ela se dá em meio escolar e a escola não a censura com equilíbrio.

Onde andam os pais dos adolescentes quando se fala de violência? Com quem é que eles a aprendem? Ou com quem não puderam aprender a distinguir agressividade e violência? Não era altura de medirmos as consequências das nossas distracções e reconhecermos que quanto maiores são as nossas dificuldades em perceber qual a função da agressividade no seu crescimento mais os nossos filhos se tornam "difíceis" e maiores são as probabilidades de os expormos a riscos?

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