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Escolher para a vida toda ou escolher a vida toda?
Quem pode, aos 14, escolher uma área de estudo com a certeza de que não se arrependerá

A distância entre a forma como os pais afirmam e repetem que "só" querem que os filhos sejam felizes e aceitam que será possível que eles escolham uma carreira aos 14 nem sempre "bate certo". Não que não se entenda o dilema dos pais quando falam da “empregabilidade” que os filhos devem ponderar nas suas escolhas profissionais futuras ou um critério como "isso não dá dinheiro" com que atalham alguns dos gostos deles. Mas quem pode, aos 14, escolher uma área de estudo com a certeza de que nunca se irá arrepender de o ter feito dessa forma nos próximos 55 anos? Quem é que, aos 14, pode conviver bem com a vivacidade de gostar de diversas áreas, diferentes umas das outras, e, ao mesmo tempo, sentir que lhe faltam argumentos para escolher uma e prescindir das outras? Quem é que, aos 14, pode ter a certeza de que não se arrependerá com a escolha que, hoje, fará? E como é que, dando aos nossos filhos condições de vida que eles não terão, mal terminem um curso, lhes estaremos a garantir a segurança de arriscar, de empreender e de saber esperar, considerando as escolhas que eles façam?

E não será compreensível que tudo os assuste, quando eles têm de escolher, porque, a escola, que devia ser o lugar onde se constroem artesãos, parece render-se a transformá-los em "produtos normalizados"? E quando todos lhes "vendemos" o dia depois de amanhã como o paraíso dos algoritmos, ou o futuro da inteligência humana como a inteligência artificial, como é que eles hão-de conviver com o lado sofrido duma escolha, quando ela comporta dúvidas e não é nem fria, nem científica nem irrefutável? Como é que, percebendo que muito daquilo que eles consomem hoje parece tornar-se descartável já "amanhã", hão-de eles aceitar que uma escolha, aos 14, possa ser para a vida toda? E quem pode esperar que, num crescimento que confunde, muitas vezes, ter notas e aprender, quem cresce se sinta, aos 14, apto para crescer? Afinal: devem eles escolher para a vida toda ou escolher a vida toda?

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