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"Eu é que sei!"
Os embates da adolescência

Depois de um adolescente andar zangado com o corpo e com o mundo, com a escola e com os pais, com a cabeça e com a “alma”, como se pode esperar que, aos 16, não se envaideça com a ilusão de mandar na sua vida (e, com isso, “mandar” nos pais) e na sua imagem e a adolescência não lhe suba à cabeça? Como é que não se há-de compreender que se deslumbre com o domínio das novas tecnologias, com a sua fluência em língua inglesa e com o corrupio de mensagens, de redes sociais e de séries que o fazem sentir-se a “apanhar a onda” de tudo o que parece indispensável no mundo, a ponto de dar reviravoltas às suas opiniões, de retocar muitos aspectos da sua identidade e de abraçar novidades, minorias e causas? Depois de um adolescente ser pequenino a vida toda, e ter os pais a saber “tudo” sobre quase tudo, a proteger e a explicar, como não há-de ele “armar-se em parvo” e não ter a veleidade de ser dono da sua vida e “dono da verdade”, e sempre que o corrigem, o advertem ou o castigam não venha de lá (aos 16) um “Eu é que sei!” (que arrasa com os nervos dos pais e lhes dá um empurrãozinho para umas cenas feias, com eles a sentirem-se à beirinha da 3ª idade, de cada vez em que fazem de chatos e tudo acaba numa gritaria “à italiana”)? E depois dos adolescentes fazerem da mãe o “anjo da guarda” e do pai uma espécie de herói, como é que não hão-de eles pôr dúvidas à forma como os pais gerem os seus sentimentos, as suas relações, o seu tempo e o seu amor - e as suas finanças, as suas convicções, os seus amuos ou os seus projectos - a ponto de parecerem passar dum período de infindável admiração para outro de crítica ou de sátira que faz com que os pais se sintam como se “não acertassem uma” e tudo em si merecesse reparo? Como é que pode ser pecado, aos 16, querer-se mais vida e menos trabalho? Ou preferir-se o mais bonito ao funcional? Ou, simplesmente, a voz ao silêncio?

O que falha aos 16 não são os adolescentes. É a preparação dos pais para escutarem. Para se porem em causa. E para falarem. O que falha aos 16 não é o “Eu é que sei!” dos adolescentes. É o “Eu é que sei!” dos pais que, por mais que os filhos queiram ser diferentes, eles reproduzem. Quando dois “Eu é que sei!” muito iguais chocam de frente o que estraga tudo não são os 16 dos filhos. São os 16 dos pais. Que se “perderam”. Dos 17 em diante.

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