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O seu adolescente transborda de medo? Rua com ele!
a vida em estado de sítio: 34

Os medos são sempre um bocadinho irracionais. Mas nunca são estúpidos. Mesmo que pareçam... E nunca "falam direito". São, assim, como uma "sopa da pedra" de muitas coisas que nos foram "marcando" pela dor e que, todas juntas, se condensam num só medo. Ao contrário do que parece, os medos são uma questão de sabedoria. Tanto assim é que, quanto mais velhos nós somos, mais medos descobrimos. E (valha a verdade) mais medos assumimos. O tempo ajuda-nos a perceber que só as pessoas corajosas assumem o medo. Vendo bem, é preciso ter coragem para ter medo!

A melhor forma de se ficar preso a um medo é fugir dele. Daí que as pessoas, quando enfrentam os medos e os olham nos olhos, fiquem mais fortes. E quando os desafiam, e se "armam" em valentes, são medricas com pele de lobo. Acontece muito. Os "muito resolvidos" são medrosos que espantam, na "segurança" em que se escondem, os medos que não se resolvem.

É claro que os medos são... "contagiosos". Pelo menos é assim que muitas mães os acham. Os filhos são a caixa de ressonância dos medos dos pais. E não é para menos: numa fracção de segundo, os filhos lêem os olhos dos pais e reagem, em função da informação que descobrem neles, diante daquilo que não conhecem. E nem sempre a coragem das nossas palavras de encorajamento que lhes damos se casa com o medo dos nossos olhos de pais.

É por tudo isto que eu gosto dos adolescentes de 12 e de 13, de 14, de 15, de 16 ou de 17 que se recusam a sair à rua. Mesmo que o façam com os pais. E gosto quando eles parecem barricar-se em casa e fazer do quarto o seu bunker favorito. E que digam que só sairão de casa quando tiverem segurança para o fazer. E que repitam que amam estar em casa. E que atormentem os pais com exigências de higiene. E que, nesta altura, se recusem a estar com os seus amigos fora das redes sociais. E que sejam, em cada casa, a consciência crítica do medo.

Ao contrário da forma como se "vendiam", os adolescentes são, sabiamente, medrosos. Amam de tal forma a vida que só a perspectiva de ficarem doentes os deixa em "modo de alarme". Só me preocupa quando que os pais cedem aos medos dos filhos ou lhes perguntam, simplesmente, "porque é que tens medo?". Porque, à luz daquilo que os filhos sentem, pareçam conhecê-los tão mal que, ao contrário do que eles desejam, é como se lhes dissessem "Por favor, não estejas assim porque os teus medos me assustam". Quem não conhece a password dos nossos medos e não sabe o jeitinho de os resolver não gosta de nós. É mais ou menos assim que eles põem as coisas.

Eles não querem sair? Paciência... Vão ter que sair. Estão prontinhos a gastar muito português para os convencer a sair? Não gastem! Acham que os vão arrancar de casa sem se zangarem? Esqueçam! Vão sentir-se ascender à categoria de "piores pais do universo"? Seguramente. Mas não cedam! E preparem-se para, das primeiras vezes, se confrontarem com esgares subtis de nojo quando saiam com eles. E para atitudes-pateta, próprias de crianças pequeninas. E para um mau humor que assusta qualquer vírus. O truque passa por não desistirem das vossas exigências. Não esmoreçam! Os medos precisam das pessoas ao pé das quais eles fiquem acanhados. Bem trabalhados, os medos dos adolescentes são uma mais-valia para o seu “sistema imunitário”. Para toda a vida. Os medos nunca se perdem. Aprende-se a conviver com eles. E por cada medo que se “vence” mais forte se fica para vencer o que vem a seguir.

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