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Porque é que os adolescentes adoram histórias com vampiros?
Porque os lembra que que até as pessoas mais bonitas têm recantos de que não vale a pena fugir

Porque os vampiros são, na "vida real", jovens atraentes e atenciosos. Que "espalham" charme junto dos adolescentes que disputam a sua atenção. E são guerreiros. E capazes de enfrentar os mais diversos obstáculos. E falam-lhes, quase ao ouvido, sobre desencontros da sua história pessoal na qual elas se revêem.

Porque os vampiros parecem príncipes, que se destacam das histórias infantis. E que assumem um estar humano, próximo e intimista, com dilemas em quase tudo parecidos com os deles, que os torna apetecíveis, sedutores e apaixonantes.

Porque são personagens que se debatem, muitas vezes, contra a sua "natureza" e contra os "defeitos", tal como eles, e tentam, de todas as formas, transformar-se por amor.

E porque são perigosos! E, por trás de tudo aquilo com que arrebatam, trazem consigo o risco de se tornarem ameaçadores e destrutivos, até.

A verdade é que os vampiros são, agora, para os adolescentes, uma versão mais humana, mais da idade deles e do seu formato de todos os "maus" das histórias infantis. Agora, sem a dimensão tão "fantástica" dos fantasmas. Sem as características tão inequivocamente feias dos monstros, dos vilões e das bruxas. E sem a aura (de alguma patetice) dos insolentes das histórias para as crianças. Os vampiros são elegantes e erotizáveis. Não se colocam à margem do grupo dos adolescentes. E não são nem ostensivos nem hostis. São pessoas como eles. Arrebatadores e apaixonantes. E, todavia, são perigosos.

A forma como o desejo e o perigo se casam num mesmo enredo traz às histórias de vampiros uma dupla função. Por um lado, dá-lhes rostos e personagens, uma teia de relações e de desencontros, e uma rede de acontecimentos que ajuda a que muitos dos episódios soltos das suas vidas de adolescentes ganhem forma, um princípio e um fim. Por outro, trazem-lhes arrepios. Medos que se insinuam como vultos e que lhes põem o coração a palpitar. E que ficam dentro deles, a "pairar". São como uma "vacina" que fica guardada e passa a sinalizar os perigos que as pessoas bonitas, sedutoras e apaixonantes de quem se possam vir a aproximar lhes possam vir a trazer.

As histórias de vampiros ajudam a pensarem-se. Ajudam a configurarem a distância que vai entre aquilo que seduz e os recantos obscuros que existem até nas pessoas bonitas. Ajudam a recordar-lhes que até as pessoas "perfeitas" têm os seus lados ora feios ora maus. Ajudam a reconhecerem que mesmo aquilo que parece um destino que nos persegue pode capitular às mãos do amor Ajudam a prevenirem-se. Ajudam a imaginarem-se. E acabam por lhes explicar que até as pessoas mais bonitas têm recantos - que não sendo, todavia, encantadores - de que não vale a pena fugir. Mas que se ganha se se conhecerem. E se esmiuçarem. E se se procurar quem os ajude a vencer.

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