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Porque é que os adolescentes saudáveis têm o quarto desarrumado?
Na realidade, vivem como se sentem... num reboliço

Porque é que os adolescentes saudáveis têm o quarto desarrumado? Porque o quarto dos adolescentes é um bocadinho como a cabeça deles: "naturalmente"... um reboliço!

Na verdade, o quarto dos adolescentes é uma espécie de reserva natural da "bio"-diversidade. É por isso que convivem por lá, sem conflitos territoriais, "o ícone" dos adolescentes saudáveis: as meias, claro. A roupa lavada e a roupa suja. O canhoto do bilhete de um último concerto. A t-shirt do treino de há dois dias. O livro de português, aberto na página 63. O teste de matemática, que espera um alinhamento favorável de estrelas para ser assinado pelos pais. Uma revista antiga, um livro esquecido, umas calças e a caixa do último telefone (sempre!). Uns headphones. O computador aberto. E um conjunto de objectos soltos, mais ou menos amontoados. O problema de tão meticulosa "organização" é que se alguém retira, por exemplo, a t-shirt, para a pôr a lavar, um adolescente que se preze imagina um tufão a varrer a sua tão personalizada "arrumação" e, qual efeito dominó, é como se o quarto ficasse descaracterizado, sem ponta de identidade e, aí sim, com tudo fora do lugar.
Os adolescentes não são desarrumados! São é muito orientados na sua desarrumação. O que faz toda a diferença! Aliás, é por isso que eles ficam quase em transe quando alguém lhes toca no quarto.

O mais engraçado no quarto dos adolescentes é o lado de enclave com autonomia administrativa que ele chega a ter. Ninguém parece ter autoridade suficiente (nem jurisdição que chegue) para entrar por ele adiante, de rompante, e o arrumar sem uma espécie de "visto", dado pelo próprio.
É verdade que há dias em que a mãe, qual milícia, depois de ter mandado arrumar o quarto umas 50 vezes e de os ameaçar, outras tantas, entra por ali dentro com a fúria de uma força de intervenção e põe tudo em sacos do lixo e os leva para a garagem. Não sem antes espalhar "glamour" com os seus gritos de insurreição. Do género: : "És um desarrumado!", "Isto está um nojo!" ou "Que vergonha!" e coisas do género. Mas, todavia, arruma o quarto. Todo! Com esmero… Ao mesmo tempo que se escandaliza com as latas vazias e com as traquitanas amontoadas que descobre nos locais mais insuspeitos.
Do outro lado, as palavras de ordem são: "Mas porque é que eu tenho de fazer a cama se logo me deito, outra vez?..." Ou, o já clássico: "Eu oriento-me na minha desarrumação!".

Talvez o quarto dos adolescentes não devesse ser como ele é. Nem os pais ganham em fugir a vê-lo igual a si mesmo, quando passam ao largo do quarto ou evitam abrir-lhe a porta. Mas porque é que os pais não sentem o quarto dos adolescentes como um espaço da casa abrangido pelas mesmas regras e lhe conferem um estatuto de excepção que não ajuda ninguém?.... Eu, por mim, intimava-os a arrumar o quarto. Os adolescentes crescem tanto quando os obrigamos a ser arrumados, que de cada vez que arrumam o quarto põem em ordem o rebuliço que lhes vai na cabeça. Por isso mesmo, só não percebo porque é que demoramos tanto a mandá-los arrumar. Mesmo que eles fiquem zangados! Ou nos achem capazes de lhes infernizarmos a vida só porque o quarto tem o chame singular duma desarrumação que, aos olhos deles, ninguém entende.

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