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Quando, ao fim de dez minutos, não estamos a discutir, já é um dia bom
Porque é que os adolescentes parecem, muitas vezes, zangados?

Convencionou-se que todos os adolescentes são mal-educados. Que se arrufam, quase por tudo e por nada. Que murmuram. Às vezes, que “grunhem”. Sobretudo, que respondem mal. E que, diante de tudo isso, os pais estão “condenados” a barafustar o menos que eles consigam. A evitar entrar no seu quarto. E a não ousar mexer em todas as coisas que eles têm desarrumadas. Mesmo assim, é comum reconhecerem: “Quando, ao fim de dez minutos, não estamos a discutir, já é um dia bom.”

Porque é que os adolescentes parecem, muitas vezes, zangados, sempre que estão com os pais: porque a adolescência tem mais custos que ganhos? Porque, ao menos, em casa eles não têm de ser quem não são? Porque acham, de tal forma, que os pais não os percebem que, ainda antes deles tentarem, sequer, aproximar-se - na esperança de os conhecerem - os adolescentes os “enxotam”? Porque, chegados à adolescência, muito daquilo que foram fantasiando acerca da “omnipotência” com que viviam os pais terá desmoronado ficando, em relação a muitos aspectos dos seus actos, umas tantas contradições, algumas decepções e uma imensa desilusão? Ou porque eles funcionam “partidos ao meio” e é mesmo de “esperar” que, ao contrário da simpatia que têm fora de casa, um adolescente que se prese deva ser, ao pé dos pais, “ressentido e enxofrado”? Tudo isso, sim. E quase nada disso, também. Porque, no final de tudo, quando os adolescentes e os pais o melhor que conseguem é, sobretudo, discutir, é porque os adolescentes têm medo de tudo aquilo os que os pais possam pôr, desassombradamente, a nu, sempre que os “desmascaram”. E aos pais os assusta serem censurados por tudo aquilo que exigem e reclamam e que, muitas vezes, não cumprem.

“Quando, ao fim de dez minutos, não estamos a discutir, já é um dia bom” só é possível porque os adolescentes e os pais se vivem a medo. E é o medo, mais que a adolescência, que os afasta e os “deita a perder”.

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