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Se a mãe me dá mais na cabeça gosta mais do meu irmão
É simples, portanto.

As coisas colocam-se desta maneira: se a mãe me dá mais na cabeça é porque gosta mais do meu irmão. Simples, portanto.
Não me venham dizer que os pais gostam de todos os filhos da mesma maneira. Porque se a minha mãe está sempre em cima de mim enquanto o meu irmão passa por entre a chuva e as faz pela calada, por mais que ela me diga que gosta de todos os filhos da mesma maneira, eu sinto que não é verdade. Se a minha mãe se zanga menos com o meu irmão do que se zanga comigo, ele, por mais que ela o negue, é o "menino-querido" da minha mãe. Logo, ela gosta mais dele! 
Eu sei que ela diz que só resmunga e me ralha porque gosta muito de mim. E eu sei que gosta. Mas... não tanto como devia! Doutra forma, deixava-me mais vezes na minha cena. E nem precisava de me fazer todas as vontades. Não! Por vezes, sinto que a minha mãe espera que agradeça por eu estar, todos os dias, na berlinda. Porque sou desarrumado. Porque sou preguiçoso. Porque murmuro ou dou uns grunhidos em vez de falar. Porque trago uns recados na caderneta e ela não aceita que eu lhe diga que a culpa foi do professor. Ou porque não faço nada bem feito!
Há dias em que eu acho que ela só exige mais de mim porque tem mais expectativas a meu respeito. De acordo. E que é por isso - acha ela - que eu devia estar muito agradecido. Mas, na verdade, entendo que ela tem, simplesmente, em relação a mim, uma expectativa do género: "Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti!". E não está certo! Vendo bem, eu acho que ela embirra comigo! "Toma-me de ponta"! Ela gosta mais do "outro" porque grita mais comigo. Não tem mistério.
Doa a quem doer, eu acho que ela “se passa” comigo como não se passa com mais ninguém. Muito menos, com o meu irmão. Logo, se se zanga mais comigo, gosta mais dele. E está tudo dito!

Advertência: Todos os pais saudáveis são injustos, de vez em quando. E, embora não pareça, quando acreditam mais naquilo que um filho pode dar do que ele próprio, não só lhe “dão na cabeça” como ele acaba por ocupar mais espaço dentro dos pais do que todos os outros. Por mais que “o produto final” pareça resultar nesta sensação de que todo o amor que lhe dão acaba com ele a achar que nós gostamos mesmo é do irmão...

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