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Se os conduzir, não os deixe beber!
A forma como os adolescentes se relacionam com o álcool devia dar que pensar

É verdade que ninguém os quer certinhos, exemplares e cheios de barreiras. É verdade que todos entendemos que os adolescentes precisam de histórias "de aventuras" e que a forma como saem à noite e desafiam o escuro leva a que se sintam crescidos, aventureiros e, até, "experientes". É verdade que alguns pais não serão o exemplo dos exemplos, considerando as suas próprias dependências. É verdade que os grupos exercem uma pressão sobre eles que os leva a ir "por arrasto". É verdade que eles precisam de “pisar o risco” para perceberem "onde pára a polícia". É verdade que, exactamente como nós, também o seu crescimento se constrói com historietas, daquelas que só são possíveis quando nos aventuramos "para fora de pé". E é verdade que a forma como eles as criam tem um bocadinho de verdade e outro tanto de imaginação e de fantasia. Mas, seja como for, a forma como os adolescentes se relacionam com o álcool devia dar que pensar.

Ninguém pretende que se crie uma espécie de fundamentalismo que interdite, sequer, a ideia de concebermos os nossos filhos a tocarem, em clandestinidade, numa gota de álcool. E - sim - entendemos que eles precisam de se aventurar para que, com isso, ganhem equilíbrio, bom senso e confiança. Mas aquilo que não se entende é que haja, entre os 12 e os 18, adolescentes com consumos regulares de álcool, de cada vez que saem ao fim de semana. E que esse consumo seja muito rápido e compulsivo. E que ele seja do conhecimento dos pais (às vezes, até com a sua aprovação e a sua condescendência) e que não traga nem consequências, nem reprovação nem tenha "coimas" proporcionais à gravidade daquilo que se passa. Muito menos se entende que esses adolescentes sejam trazidos, embriagados, para casa, pelos próprios pais, que fazem de conta não reparar no seu estado. E também não se entende que os bares advirtam que não vendem bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, ao mesmo tempo que lhes servem shots e cervejas. E entende-se menos, ainda, que a polícia, que sabe quais são os locais que estes adolescentes frequentam, faça "vista grossa" sobre tudo isso, e não identifique os adolescentes e os pais como se nada disso fosse didáctico, dissuasor e razoável.

Que os adolescentes interpretem a sua relação com o álcool como uma espécie de "ritual de iniciação" para a vida adulta, entende-se. Que meçam entre eles as mais diversas façanhas relacionadas com esse consumo é compreensível. Mas a que vivam tão espartilhados, por dentro, que, para se descontraírem e desinibirem junto dos amigos, precisem de beber já é assustador. E que procurem, muito rapidamente, alcoolizar-se, sempre que se juntam para conviver (?) devia merecer alarme público.

E, no entanto, nada disto parece merecer a atenção que tantos comportamentos tão graves e perigosos têm de suscitar em nós. Por isso, seja responsável: não o deixe nem beber com moderação. Mais: zangue-se, severamente, se sentir que ele o faz. Mas, por favor, não deixe que se banalize esta ideia que não há nada a fazer. Lembre-se que aquilo que podia ser um exercício de degustação da própria vida se transforma numa espécie de dependência que se torna escorregadia, logo a seguir. Por isso, se conduzir um adolescente, não o deixe beber!

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