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Tirem-me deste filme!
Os 13, os 14 e os 15 são difíceis! Mas os 13, os 14 e os 15, fechados em casa e confinados estão "no limite"

Os 13, os 14 e os 15 são difíceis! Porque as transformações do corpo e da cabeça entram em “hora de ponta”. Porque o papel dos grupos parece um TGV na vida de um adolescente. E porque as redes sociais e os jogos trazem um furor de relações que se atropelam, uma cascata de temas que chegam a desoras, com agendas um bocadinho ocultas (mas, ainda assim, glutonas em termos de temas de conversa), e “amigos secretos” de todas as latitudes (chegados através do jogo) que, muitas vezes, não têm idade, não têm equilíbrio e não têm gestos, sequer, de amigos.

Os 13, os 14 e os 15 convertem adolescentes “certinhos” em “rebeldes de última geração”. Argumentativos. Demagógicos. Interpelantes. Desafiadores. “Auto-determinados”. Muito “cheios de si”. Que vivem as amizades como os verdadeiros “mentores”. Que têm temas de conversa particionados pelos mais diversos tutoriais. Com quem os pais desaprendem de falar. E que repetem, como um slogan, que os pais não os entendem.

Mas os 13, os 14 e os 15, fechados em casa e confinados, estão a chegar “ao limite”. O nível dos seus desabafos cresceu e atinge patamares de desespero insuportáveis. A forma como vivem as regras e os limites assumiu contornos de frente sindical em dia de greve geral. Os saltos de humor põem, invariavelmente, os pais a imaginá-los como “bipolares”. A resistência às aulas digitais atinge contornos de “unidos, venceremos!”, que as faz assumir como uma “seca” ou como um “tédio”, às quais reagem jogando, ouvindo música e desligando o ecrã (aos menores nada a escola pode obrigar!) o tempo que lhes dá na gana. A forma como as novas tecnologias tão depressa serve para irem às aulas como para os termos quietos e calados fez com que o grau de isolamento em relação à família atinja contornos de “calamidade”. E a relação com o telemóvel “endoideceu”. Porque eles parecem ligados, em rede, quase 24h por dia. E porque qualquer castigo dos pais que o inclua os transtorna a ponto deles parecerem num “síndrome de abstinência” que não nos pode deixar de sentir senão alarmados.

Os 13, os 14 e os 15 desesperam pelo dia do regresso à escola! Mais porque, neste momento, esta “prisão domiciliária” em que têm vivido se torna claustrofóbica e irrespirável. E insuportável por muito mais tempo. Mais porque o quarto está a deixar de ser a sua “gruta” e passa a transformar-se numa “cela solitária”. Mais porque os aterroriza muito mais perderem os amigos do que perderem as aulas. Mais porque lhes falta o ar, e isso os aleija e aflige e ninguém os parece conseguir salvar e resgatar.

Tenham cuidado com os 13, com os 14 e com os 15! Eles estão num “tirem-me deste filme!” semelhante àquele que os pais sentem com eles. Eles estão em sofrimento. Preparem-se porque eles vão desconfinar como se fossem um furacão. Preparem-se porque eles vão regressar à escola cheios de “vícios de forma” e vão precisar de várias “desintoxicações” para que a rebeldia se sossegue. Preparem-se porque as reivindicações sobre os seus direitos à individualidade vão ganhar “velocidade de cruzeiro”. E porque a reposição de regras pré-covid vai fazer com que, nos próximos meses, os pais corram o risco de se dar por vencidos muitas vezes. Preparem-se! Mas, sobretudo, preparem-se para os ajudar a crescer depois disto. Para que, depois disto, voltem a ser adolescentes livres e arejados.

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