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Todos os adolescentes saudáveis são egoístas?
Nim?!...

Vamos por partes: todas as pessoas amadas são um bocadinho egocêntricas. E isso é bom! Porque isso supõe que estão tão habituadas a que "o mundo pare" porque elas existem que acabam por imaginar todas as pessoas quase sempre à imagem de quem as ama. Deixando aquilo que estão a fazer para as escutarem. Capazes de ser acolhedoras, atentas, cuidadosas e simpáticas só porque elas existem. E dando-lhe gestos afectuosos que as acalentam e que as "encham". As pessoas amadas não fazem questão de ser "o centro das atenções". Mas reagem com dor sempre que se sentem desconsideradas ou, simplesmente, ignoradas. Não colocam, portanto, o eu sobre todas as coisas, como fazem as pessoas narcísicas. Mas reproduzem, muito bem, o "Então, e eu?" ou o desalentado "Já não sou teu amigo!" das crianças, quando amuam ou fazem "chamadas de atenção" sempre que não têm todos os cuidados de que se sentem credoras. O eu numa porção "quanto baste" faz, em resumo, muito bem às pessoas! Por isso mesmo, se trabalharmos muito bem como pais os nossos filhos serão um bocadinho egocêntricos. Mas precisam de nós como "entidade reguladora" porque é natural que, por vezes, se "estiquem" e escorreguem do egocentrismo para o egoísmo. Isto é, para circunstâncias que há eu e mais eu e mais eu e, por isso mesmo, percam toda a graça.

O que a mim me preocupa é que os pais, porque os amam desmedidamente, hoje, cedam um bocadinho a esses "tiques de primeira figura" dos filhos, com cumplicidade e com orgulho pelo seu amor. E, amanhã, alimentem esse lado cheio de reivindicações exageradas para que, logo a seguir, andem a "toque de caixa" ou a "reboque" deste eu "sobre todas as coisas" que transforma um adolescente, saudavelmente, egocêntrico num adolescente, "insuportavelmente", egoísta. Daqueles que não mimam os pais. Que ignoram aquilo que os preocupa. Que não os cuidam. E que os desqualificam, desvalorizam ou, mesmo, os magoam. Precisam, portanto, de ser chamados à razão e de ser "postos na ordem"!

Chegados aqui, à pergunta: "Todos os adolescentes saudáveis são egoístas?", a resposta será:
- sim, se aquilo a que chamamos egoísmo não passar do “bocadinho egocêntrico” que se esticou de mais e precisa de “ser posto no lugar”;
 - não, se eles estiverem “tão cheios de si próprios” que o eu se transformou, de certa forma, na “sua religião”.

Numa ou noutra circunstâncias - é só um aparte - os bons pais fazem sempre muita falta!

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