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Vida: reservado o direito de admissão
a vida em estado de sítio: 32

"Ninguém fala nos jovens que já se conseguem, emocionalmente, controlar e compreender o momento que vivemos e que, apesar de se insistir, se recusam a sair, porque não gostam de ver a rua sem o habitual movimento.... Que saem, para correr 5 km, ao fim da tarde, e chegam - calados, cansados - com as energias repostas, mas com o ânimo apagado... Que, tristes, vêem o ano letivo terminar sem a saudável e memorável despedida do secundário. Sem a perspectiva dos festivais programados, das férias combinadas. Sem a entrada na maioridade comemorada. Sem a tranquilidade habitual de um calendário de exames seguido das merecidas férias, antes da entrada para a faculdade!
Ninguém fala deles... Porque já são grandes... Não dão trabalho... Estão entretidos... Calados... Ensimesmados....
Nenhum de nós imagina o que lhes vai na alma, nestes dias... Nenhum de nós se imagina adolescente, quase adulto, neste momento! Às vezes, serenos e, alegremente, descontraídos. Outras vezes, enjaulados e infantilmente revoltados. Mas contidos!" XS

Não falamos, Xana. Porque o seu silêncio não ocupa o espaço que devia. Porque, por não rezingarem, nos parecem... “bem”.

É verdade que, com isto tudo, eles acabam por não dar "O" passo para os 18 da forma como sempre o imaginaram: com festivais, com férias "de sonho" e com muitas noites de sexta e de sábado. E onde os mesmo calafrios, pelo medo de não entrarem no curso dos seus sonhos, dão, hoje, lugar à "alegria murcha" de o conseguirem, a ponto de tudo parecer insosso. Na verdade, ninguém os avisou; mas é como se reconhecêssemos, no meio das mil preocupações que nos atropelaram que, agora, eles crescem sem festa. O seu silêncio, que devia ocupar espaço, às vezes, o melhor que consegue é fazê-los passar despercebidos.

Como pode um adolescente, dos crescidos (quando o seu amor, pelas coisas que descobre, devia ser um furacão) sentir-se alegre por crescer, quando tem à sua frente uma espécie de aviso que lhe lembra: “Vida: reservado o direito de admissão”? Não pode!

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