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Apaixonar-se no trabalho
Sim, não... ?

“A McDonald's decidiu dispensar Steve Easterbrook, director executivo desde 2015, depois de descobrir que este tinha estado numa relação amorosa consensual com uma pessoa que trabalhava na mesma empresa. A “gigante” da comida rápida proíbe os gestores de manterem relações românticas com subordinados directos ou indirectos.” (Público, 3/11/2019)

 
E, depois, há pessoas que tínhamos a ideia que estariam, para sempre, à nossa espera e que, num determinado dia, descobrimos que são muito pouco daquilo que queremos ter ao nosso lado. De certa maneira, não as matamos em nós. Mas consentimos que morram. Devagarinho. Curiosamente, no seu lugar, não fica um vazio. Fica uma falta de força com a qual parecemos não reclamar sequer a sua presença. Sem lugar para as saudades. E sem adeus. Que se sobrepõe a quaisquer boas-vindas que a sua graça podia ter. E um alívio.

Não são, portanto, os colegas de trabalho por quem nos encantemos que nos divorciam. Claro, quando muito, atestam um "óbito". Por isso mesmo, quando se fala, com estranheza, das pessoas que se se galanteiam ou são tomadas pelo encantamento por colegas de trabalho, não acho prudente fazer como se fez na McDonald’s. Envolver numa mesma penumbra assédio com paixão não é nem sábio nem prudente. Não se trata de ignorar o que há de grave quando um "superior" assedia um "subordinado". Mas de não confundir - como fazem milhões de empresas - assédio com paixão. Daí que, quando quem assedia é exonerado por "fraqueza de discernimento" é de menos. E quando quem se apaixona é exonerado com os mesmo argumentos é demais. Mas o que é, mesmo, estranho é que falte, muitas vezes, a muitas empresas, o discernimento que as leva a presumir que quem trabalha tem de vestir um uniforme onde não caiba o coração.

Porque é que as pessoas se apaixonam no trabalho? Porque passam lá mais tempo acordadas do que passam ao lado da pessoa com quem vivem. Porque falam, muitas vezes, com mais mundo e com mais garra com os colegas do que quando estão por casa. Porque, regra geral, não guardam para os colegas o melhor do seu "mau feitio". Porque riem mais, e de forma mais descontraída, no trabalho. E porque sentem que têm pessoas mais interessadas em conhecê-las e em reconciliá-las com o seu "coração" do que a pessoa que vive com elas. Afinal, haverá melhor "happy meal", numa empresa, do que conciliar as pessoas com o amor?

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