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Crianças saudáveis?
Se calhar, tem lá em casa uma criança saudável. E não sabia..

Amanhã é o dia da saúde mental. E isso fez-me lembrar de todas as vezes que as mães - assustadas com os diagnósticos (às vezes) assustadores de alguns técnicos, com aquilo que lêem (sem grande critério) na internet ou com o que escutam dos seus familiares ou dos professores dos seus filhos - me perguntam: “O que é isso de crianças saudáveis? Elas existem? E, já agora, podemos encontrá-las nos nossos filhos?” E a resposta é sim: elas existem! Vamos tentar, agora, perceber se tem uma dessas crianças em sua casa?

Todas as crianças, quando nascem, são sensíveis, inteligentes e intuitivas. (Não me canso de o referir.) São, portanto, muito competentes para conhecer, para interpretar e para agir sobre as pessoas e o mundo à sua volta. Serão, hoje, as crianças mais inteligentes? Sim! Porque, como pais, as conhecemos melhor, as educamos com mais atenção; logo, as estragamos menos, portanto. A inteligência das crianças é um “instrumento” precioso para que sejam saudáveis. Isto é, quanto mais espertalhonas mais saudáveis. Assim os pais - pela forma como as podem condicionar com as suas inseguranças, com os seus repentes intimidantes ou com uma atmosfera, continuadamente, depressiva - não os condicionem e “atrofiem” a sua inteligência. E a escola - pela forma como não as escuta, e não as educa para o conhecimento, potenciando todos os seus recursos saudáveis - não os estrague, também.
Ao mesmo tempo, a forma como se autonomizam dos pais, se desembaraçam, se “desenrascam” e são proactivas, torna as crianças mais saudáveis porque tão depressa formulam problemas como os vão resolvendo. Crianças amigas do “bicho-carpinteiro” são, seguramente, saudáveis. Por mais que tenham a “cabeça no ar”.
Também a forma como as crianças “falam pelos cotovelos” se traduz numa “imagem de marca” duma criança saudável. Isto é, quanto mais as crianças são “explicadinhas”, expressivas e falam, em tempo real, com “todas as letras” e com os “pontos nos is” mais saudáveis se tornam. Crianças que “engolem” aquilo que sentem são crianças que, parecendo mais sensatas ou mais compenetradas, se vão “estragando” aos poucos. Com os elogios dos pais... À medida que transformam em “nervoso miudinho” aquilo que sentem mas não dizem. (Os rapazes são, regra geral, educados assim...)
Depois, a forma como as crianças manifestam a raiva e falam dela e, sem darem por isso, reagem aos conflitos, às frustrações e aos insucessos “movidas”por ela, vão transformando raiva em agressividade, e usam as duas coisas para serem aguerridas, afoitas e seguras, mesmo que, à custa delas, “esgotem a paciência” dos pais e aprendam com os seus próprios erros. A raiva é, em certa medida, amiga da saúde. (A forma como se passa da raiva à agressividade que se age para que, depois, se chegue à agressividade de que se fala - indispensável para competir, para proteger ou para se ser ambicioso - é, regra geral, muito mal estimulada nas raparigas...)
Finalmente, o modo como as crianças reagem às histórias. As sentem e “entram” nelas. E, à boleia dos enredos, das personagens e dos seus cenários, encontram argumentos para aprender, através de terceiros, sobre tudo aquilo que se passa dentro de si e à sua volta torna as crianças mais saudáveis. Sobretudo quando, a seguir, as recontam, as reinventam e as recriam. Crianças amigas amigas das histórias são crianças saudáveis.

O que é isso de crianças saudáveis? Crianças espertalhonas. Faladoras. Despachadas. Imaginativas. Criativas. E com algum “mau-feitio”. (Se calhar, tem lá em casa uma criança saudável. E não sabia...)

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