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Devem as crianças ir a Tribunal?
E dar o seu testemunho?

Não! Porque são crianças.
Não! Porque um Tribunal é um lugar muito agressivo.
Não! Porque as crianças percebem que, sempre que estão num tribunal, os pais se anulam e não as protegem, de forma determinada e leonina, como as crianças esperariam que eles fizessem sempre.
Não! Porque, por mais que tenham pais, as crianças se sentem desamparadas e ao abandono num tribunal, porque percebem que, naquela altura, há pessoas que parecem mandar mais nas suas vidas do que os próprios pais.
Não! Porque, independentemente de todas as pequenas e as grandes razões de queixa que possam ter contra algum deles, elas se sentem esmagadas por um conflito de lealdades entre um e outro dos pais e, muitas vezes, a “entregar” ou a “condenar” um deles, com o seu testemunho.
Não! Porque por mais que tenham a melhor das intenções e sejam, eles também, pais, os magistrados não reúnem as competências indispensáveis para falar com as crianças. E, mesmo que não estejam vestidos de preto e se sentem ao pé delas, elas sabem, por mais que a sua intenção seja protegê-las, que aquele lugar lhes é hostil e, por mais que elas sejam inocentes, ele as vai “condenar”, para sempre. 
Não! Porque, ao assumirem, em relação a um dos pais, uma verdade, uma meia-verdade ou uma mentira, isso as irá atormentar, por toda a vida, como se alguém tivesse permitido que lhes fosse impingida culpa, vergonha e danos que elas agradeceriam que jamais fosse sua.
Não! Porque elas são crianças! E era suposto que tivessem quem representasse os seus interesses e as suas necessidades (sempre!), sem que se suponha que dependa delas, e não dos crescidos, que se faça Justiça.
Não! Porque se todos acham que decidirem sobre as suas próprias vidas, em relação a um dos seus pais não é perigo (por mais que todos lhes mintam e lhes dêem a entender que nada daquilo sobrará para elas), é porque todos as reconhecem com o equilíbrio, a robustez e versatilidade das pessoa crescidas. E, sendo assim, não se percebe que, esses mesmos que entendem, sem reservas, que as crianças têm de ser sempre ouvidas num tribunal, não reclamem que elas votem aos 4, aos 5 ou aos 8. E, se for assim, e para efeito de todas as outras coisas que tenham a ver com as suas vidas, não se entende que elas não decidam pelos pais. E que não sejam, por isso, maiores. Quando são, simplesmente, crianças!
E não, porque, a ser assim, sejam pais ou magistrados, todos acabariam “condenados” pelo tribunal das crianças.

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