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Férias com o pai, férias de mãe ou uma dor que se acentua?
Nestas alturas há muitas tensões entre pais divorciados com filhos pequenos

Nestas alturas de Verão, há muitas tensões entre pais que se divorciaram e que, em função de uma decisão judicial, têm de repartir os tempos de guarda de um filho. É claro que a divisão dos tempos de uma criança por ambos os pais é, em tese, justa, para todos. Mas nem sempre aquilo que parece justo para ambos os pais acaba por ser, em todos os momentos, bom para uma criança.

Vamos hoje pegar nas crianças pequeninas que - em função da sua idade, do acordo dos pais ou de uma decisão judicial - estão confiadas à guarda da mãe, por exemplo (e, insisto, neste “por exemplo”), e que deverão passar quinze dias de férias com o pai. Estaremos a falar de crianças com dois ou três anos, confiadas à guarda e aos cuidados da mãe, e que estarão com o pai na noite de quarta, por exemplo, e, em fins de semana alternados.

Será razoável que perguntemos, mediante este formato de guarda, se poderemos esperar que, por esta altura das suas vidas, elas sintam o papel da mãe e o papel do pai como idênticos, em grau de importância, para elas. E a resposta - sem prejuízo de todas as mudanças que a preponderância do pai na sua vida virá a ter, mais tarde - será: não, não é razoável. Ou seja, por mais que uma afirmação destas possa merecer algum mal-estar, neste caso é natural que uma criança sinta mais ligação à mãe e, portanto, goste mais dela. Não que o pai seja descartável, bem pelo contrário. E, muito menos, que não possa vir a tornar-se bem mais precioso para o seu crescimento do que a mãe. Mas, num formato de guarda como este, nem sempre a presença do pai colmata, em todos os aspectos, a ausência da mãe. Se foi a mãe que mais a cuidou, que mais conversou com ela, mais lhe deu colo e que acudiu aos seus mais diversos sobressaltos, compreende-se que o grau de preponderância da mãe e do pai seja, nesta altura, diferente. Para mais, ainda por cima, quando uma criança desta idade está confiada à guarda da mãe. O mesmo, em relação ao seu inverso. Isto é, quando é o pai quem se dedica mais a um filho.

A questão que surge, a seguir, será: e, chegados às férias, os quinze dias seguidos de permanência junto do pai, que o deixarão (compreensivelmente) exultante, serão, para estas crianças, férias com o pai, férias de mãe ou, muito provavelmente, uma dor que se acentua? De forma injusta - para todos! - uma dor que se acentua. Sem que se faça disso uma regra estanque, com dois anos, dois ou três dias consecutivos junto do pai aceitam-se; com três anos, três, quatro ou cinco dias de afastamento consecutivo da mãe tolera-se; mas tudo o que vá para além disso torna-se escorregadio e muito pouco “férias” para todos. Evidentemente, que “fatiar” as férias à escala daquilo que uma criança tolera melhor pode fazer com que as férias percam todo o sabor a férias. Mas também é verdade que não são as vídeochamadas que atenuam o ”quente e frio” dumas férias assim. Por um lado, acentuando o que de bom as férias podem trazer com uma presença mais intensa do pai. Por outro, fazendo-se acompanhar por uma “sensação” de desamparo e de “abandono” de mãe que, pós-regresso, não deixará de se fazer acompanhar por algumas “facturas”.

Qual poderá, então, ser o formato mais equilibrado para que todos saboreiem as férias como uma aragem gostosa que a ninguém magoe demais? Aquele que nunca leve “à letra” o formato, um bocadinho administrativo, de algumas decisões judiciais (“quinze dias com a mãe, quinze dias com o pai”) que, quando são assumidas como irrefutáveis e inegociáveis por alguns pais, muitas vezes em nome dos interesses de uma criança, criam situações que se tornam pouco equilibradas para que a relação de uma criança com o pai e com a mãe saia das férias grandes a ganhar.

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