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Hoje já pode ser tarde!
Vivemos preocupados com o futuro dos nossos filhos. Mas, depois, não cuidamos daquilo que lhes é essencial

Vivemos preocupados com o futuro dos nossos filhos. Mas isso não é verdade! Reconheço que não entendo a distracção (ou a indiferença?) que me parece que quase todos, como pais, acabamos por ter em relação a tudo aquilo que se passa com as alterações climáticas. Parece-me a mim que, por mais que sejamos sarcásticos em relação a alguns presidentes que afirmam que elas não existem, acabamos por ser muito parecidos com eles. Como se o aquecimento global, o degelo, as profundas alterações do clima, as fontes não renováveis de energia, a crise demográfica, o consumo desenfreado de recursos, a ameaça de inúmeras espécies animais, um oceano de plásticos, etc. não fossem problemas nossos e se resumissem a enredos duma história de ficção científica. Como se nada disto ameaçasse os nossos filhos. Já hoje!

Não se entende a passividade dos pais! (Desculpem!!) Mas, pergunto, se merecemos ser pais. Se merecemos que os nossos filhos nos continuem a respeitar como reservatórios de sabedoria e de bom senso, ao mesmo tempo que desbaratamos (e indiferença é desprezo!) recursos e riquezas. É como se disséssemos aos nosso filhos, por outras palavras, que eles são o melhor do mundo, para nós, mas que não estamos mesmo nada interessados em lhes deixar o melhor do mundo, a todos eles.

Sim, aquilo que se espera dos pais é um compromisso político! O reconhecimento que a política não pode continuar a ser vista como um conjunto de arabescos muito pouco inteligentes onde cabem todos os oportunismos (em nome do poder, do protagonismo ou do enriquecimento ilícito) mas como uma forma de nos olharmos nos olhos e perguntarmos o que é queremos das pessoas, do mundo e do futuro. Sim, precisamos de explicar aos cidadãos que se comprometem com uma vida política activa que o ambiente não é causa que tenha "donos" Não pode ser uma causa da esquerda. E, dentro dela, de um ou de outro partido. Sim, não se entende que não haja, sequer, urgência de se transformar a emergência ambiental num compromisso de regime com que se ganhe o futuro. Sim, precisamos de reabilitar a política. Para que os nossos filhos percebam os compromisso que têm e a participação que esperamos; deles todos! Sim, precisamos de mostrar que as revoluções tranquilas nascem em casa para que condicionem, em nome do Bem, quem decide. Sim, devíamos ter orgulho pela indignação dos adolescentes e vergonha por não sermos capazes de os seguir. Sim, se os pais sabem sempre mais um bocadinho, cabe-nos a nós o compromisso que leve a que os nossos filhos reconheçam que merecemos ser pais. À margem duma postura infantilizada que delega em quem decide as medidas que todos temos de tomar, para seu exemplo.

Num mundo em que parece não deixar esta estranha epidemia atípica de défices de atenção das crianças, quem parece que vive mais na lua: nós ou elas? Com que legitimidade é que nos insurgimos contra o alheamento dos nossos filhos em relação ao mundo à sua volta se, por mais que nunca nos cansemos de repetir que eles são o melhor de nós (e, ao mesmo tempo que trabalhamos, arduamente, para que eles tenham um futuro melhor) a nossa indiferença trabalha, de forma incansável, para que não tenham futuro? Hoje já pode ser tarde! (Teremos noção disso?) Mas amanhã será, tragicamente, tarde demais.

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