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Movidos pelos erros
Porque nunca se aprende e se cresce à margem das dúvidas

A cultura de sucesso enraizada nos nossos dias merece a nossa maior contestação. Não porque sejamos contra ele. Ou porque não o acarinhemos. Ou, ainda, porque não o ambicionemos. Bem pelo contrário! Simplesmente, porque vive os erros como se fossem marginais à sua história. Encara os enganos com desdém e os falhanços como catástrofes. E, o pior, orgulhosa e insidiosamente, sugere que se aprende e se cresce à margem das dúvidas. Presa na intolerância das suas certezas.

Ora, esta ideia de crescimento asséptico e imaculado a que muitos de nós, involuntariamente, acabamos por aderir é tão dura que violenta. Viola a liberdade de descobrir e de explorar. Manieta a autonomia. Atormenta a curiosidade e deixa-nos, vezes de mais, sós. Sós perante a falha. Perante a vergonha de não conseguir. Perante a nossa incapacidade. Perante a nossa imperfeição. E isso, meus senhores, é fatal. Porque por muito que o futuro tolere tecnocratas e sabichões, continuará – sempre – a incentivar e a privilegiar quem consegue pensar “fora da caixa”. Quem assume sem medo que não sabe. Porque é esse o primeiro passo para se poder aprender. Ser movido pela força dos erros é a garantia da paixão, da garra e da determinação. No fundo, por mais paradoxal que possa parecer, do sucesso. E, por mais que um erro se construa sozinho, é muito difícil aprendê-lo a sós. Primeiro, porque (ainda pequeninos) começamos por oferecer as nossas conquistas a quem é mais valioso para nós. Depois, porque é com eles que gizamos uma alternativa e nos fazemos, novamente, ao caminho, nunca deixando de perguntar porquê. Por último, porque é aos olhos deles que sentimos a verdadeira recompensa. Por isso, pergunto: não será altura de aderirmos – todos! – ao movimento “movidos pelos erros”?

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