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Não te separes! Pensa nas crianças
E não estaremos nós a pensar nelas?

É verdade que é mesmo mais fácil divorciarmo-nos do que casarmos. Porque temos sobre os nossos ombros tantos compromissos a concorrer uns com os outros que - mesmo dando conta disso, todos os dias - “facilitamos”, sobretudo, na forma como somos pais e (mais, ainda) nas nossas relações amorosas. Não é por mal, claro. É por “impossibilidade de agenda”.

Mas, apesar da forma como nos vamos divorciando, devagarinho, e por “comum acordo”, quando, finalmente, nos decidimos divorciar nenhum divórcio é fácil. Não é fácil pela “luta interior” que ele representa, todos os dias, dentro de nós. Não é fácil porque a nossa decisão parece ser digna duma “montanha russa”: tão depressa estamos determinados a ir como, logo a seguir, certos e seguros que devemos ficar. Não é fácil porque temos a consciência do fracasso que um divórcio representa. E não é fácil porque não é possível divorciarmo-nos sem perdermos muitas das coisas que tínhamos: o nível de vida, a casa que escolhemos ou “o sofá azul, do canto da sala”, por exemplo. Não é fácil, também, porque os nossos pais se zangam connosco mais do que, num primeiro momento, nos entendem ou nos apoiam. E porque os nossos amigos se dividem em “facções”; e, se há uns que “estão connosco”, muitos ficam “contra nós”. E, claro, finalmente , porque a pessoa que já terá sido “a luz da nossa vida” se vai tornando tão obscura, tão longínqua daquilo que que já foi, e tão, assustadoramente, estranha (a ponto de descobrirmos que não a conhecíamos) que, de repente, nos sentimos sós, envergonhados e assustados. E sem as certezas “à prova de dúvida” que, sobretudo “naquele momento”, seria o que mais precisaríamos.
E, depois, há os nossos filhos. E a consciência que temos de os dividir com quem não admitimos dividir a nossa vida. E que temos de os magoar muito porque queremos ser felizes. E que, “por causa de nós”, deixa de existir “a nossa casa” enquanto “a casa do pai” e “a casa da mãe” perdem, para sempre, o charme de “presépio”, de “gruta intransponível” ou de “castelo” que “a nossa casa” não deixava de ter.

Mas o que torna tudo mais difícil é que haja alguém que nos diga: “Não te separes! Pensa nas crianças…”. Afinal, como é que alguém nos ajuda pondo mais culpa em cima de toda a culpa que nós já sentimos? E será não pensar nelas mostrar-lhes que têm, pelo menos, um dos seus pais que luta “contra tudo” para pôr verdade na vida de todos e para ser feliz? E será ignorar os seus interesses se lhes dissermos que “o pai e a mãe já não são namorados” quando elas, há muito, já terão percebido que eles mal conseguem ser amigos? Será, enfim, “fazer de conta” pensar nas crianças como nos parecem fazer crer?

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