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Porque é que as boas pessoas parecem medricas?
Será que são?

Porque têm uma sensibilidade educada. E, por isso mesmo, são atentas, são cuidadosas e sobretudo, são despojadas  da vaidade que muitos, por equívoco, consideram auto-estima, segurança ou ser-se, até, “muito bem resolvido”.

Porque  aquilo que as separa dos outros é a curiosidade em vez do medo. E, por isso, em vez de serem distantes ou desconfiadas, são observadoras até ao momento em que confiam e conversam, sem reservas ou preconceitos, o que as leva a serem tomadas como pouco “senhoras de si” ou pouco capazes de “pôr os outros no lugar”, porque os entendem ao nível daquilo que elas próprias acabam por ser.

Porque vêem o mundo à altura dos seus olhos. E projectam nos outros a empatia e a simpatia que foram habituadas a ter. Por mais que isso, aos olhos de muitos, as leve a parecerem crédulas, “moles” ou demasiado complacentes com quem, supostamente, não deveriam ser. 

Porque parecem não ter memória das coisas más que alguém lhes faça. Não que não a tenham, claro. Mas porque, por mais que façam “força” para não se esquecerem daquilo com que as magoaram, a forma como aquilo que as liga se sobrepõe aos ressentimentos, a tudo o que as separa e ao modo como o rancor lhes parece muito longe daquilo que consideram “a sua praia”,  faz com que a esperança se sobreponha ao cinismo e à desconfiança. 

Porque a forma como se habituaram a ter quem, de forma atenta, as foi ajudando a resolver as dificuldades do seu crescimento as leva a parecerem, muitas vezes, tão passivas que quase há quem as ache preguiçosas. Sobretudo quando se trata de reagirem aquilo que está mal, fazendo-lhe frente, com garra e com tenacidade, em vez de esperarem (como o fazem), com paciência, que as coisas se resolvam com o tempo ou, mesmo, “por si”. 

Porque, como são transparentes, não conseguem disfarçar ou “maquilhar” aquilo que que lhes vai “na alma” o que, aos olhos de muitos, faz com que pareçam pouco “maduras”, pouco “estrategas” ou, até, inocentes em demasia.

Porque dão mais do que reclamam e esperam receber mais de tudo aquilo que exigem. O que faz com que pareçam um bocadinho “totós” ou, mesmo, a acreditarem mais em fadas no que na competição feroz por objectivos que as preencham. 

Porque precisam dos outros para se conhecerem a si em vez de se sobreporem, de forma egocêntrica, sobre aquilo que, mesmo antes de os conhecerem, achem que eles lhes possam dar.

Porque têm um “sexto sentido” tão acutilante e tão fulgurante que a forma como sentem as pessoas supera aquilo que tinham para lhes dizer. E isso as leva a “encolherem-se” quando se trata de serem afirmativas ou de transmitirem aquilo que querem porque, chegada à hora de o fazerem, sentem os outros em si, misturam esses sentimentos com aquilo que têm de mais profundo e, por mais que não sejam assim, pareçam medricas. 

As boas pessoas são pessoas amadas! Talvez por isso despertam tanto mal-estar e tanta inveja. Afinal, se todos pudéssemos, seríamos mimados.

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