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Quem tem medo da Barbie?
A Barbie fez 60 anos

Comentar-se que uma mulher "É uma Barbie!" não será um insulto. Mas também não é do que há de mais lisonjeante. Pressupõe que ela será um bocadinho coquette. Que tem uma predilecção por um estilo de vida intenso, bem "abonado" e generoso. Que cuida de si. Mas que é autónoma e despachada. E que é capaz de desbravar caminhos e de criar oportunidades. Por outras palavras, uma Barbie não é, sobretudo, uma "cinturinha de vespa". É mais! Por mais que isso de chamar Barbie a alguém pareça remeter para uma forma um bocadinho fútil de estar na vida.

Se grande parte das características da Barbie não sejam de "deitar fora", quando se é crescido, considerando as crianças, e as meninas em particular , reconheço que a Barbie será uma boa influência. Que não as empurra para um modelo "capitalista" de crescimento. Nem para "formatações políticas" ou para acantonamentos sexistas que "engulam" todas as suas influências reais. Nem para riscos anorécticos ou para uma "futilidade-militante". Ou para outros perigos que algumas pessoas lhe querem atribuir. Confundindo uma personagem, que representa um espaço para que as crianças encenem ou recriem tudo aquilo que apreendem de bom nas mulheres à sua volta, com um condicionamento que distorce essas influências (como se o acessório e o fundamental merecessem dentro delas a mesma importância).

A Barbie terá inúmeras características que as meninas atribuem às princesas. Só que, desta vez, elas não estão distribuídas por várias personagens dos filmes de animação e se concentram numa única "pessoa", com particularidades muito mais associáveis aquelas que, na adolescência, se atribuem aos ídolos. Por outras palavras, é saudável que as meninas brinquem com Barbies! Porque será compreensível que identifiquem essa personagem muitos dos atributos de beleza ou de de sucesso que, intuitivamente, atribuem a algumas mulheres e à mãe, em particular. Digamos que a Barbie será uma encruzilhada ou uma síntese daquilo que elas sentem que "são coisas boas" que as mulheres podem representar ou podem ter para que, de seguida, com a sua ajuda, elas recriem personagens, encenem episódios, alimentem enredos, fantasiem, imaginem e aprendam a pensar a sua feminilidade. No entanto, presumir que a Barbie "engole" todas as referências identificatórias de uma rapariga, e que condiciona, enviesa ou distorce a forma como se cresce e se constrói a sua identidade ou que as aprisiona a escolhas onde não caiba nem a singularidade nem a diversidade humanas é um argumento tão sério como imaginar que o Mickey ajuda as crianças, quando crescem, a alimentar uma espécie de "complexo de Peter Pan" ou a presumir que o Astérix representa uma influência perigosa que as desafia e as empurra para consumos toxicodependentes e coisas desse género.

Porque é que a Barbie desencadeia, por vezes, comentários tão precipitados e, por vezes, tão pejorativos a tantas mulheres crescidas? Porque ela representa um estilo de vida com o qual ou não se identificam ou, simplesmente, invejam. Só que, para as crianças, mal seria que as personagens que funcionassem como "ideais" ou "referências" para o seu crescimento fossem o Pateta ou o Obelix. As crianças reconhecem que as pessoas vitoriosas, espertalhonas, desembaraçadas ou expeditas têm muito mais graça quando se trata de dizerem, para si próprias, "Quando for grande, quero ser (um bocadinho) assim!". E existir uma boneca com as características da Barbie ajuda-as.

Finalmente, será importante que se pergunte se fará mal que os rapazes brinquem com Barbies. E a resposta será não. As bonecas (todas as bonecas!) são brinquedos didácticos. Aliás, mal seria que brincar com uma Barbie ou brincar com bonecas os impedisse, se for o caso, de jogarem à bola, ao mesmo tempo. Isto é, as leituras precipitadas sobre a função dos brinquedos, essas sim, é que fazem mal às crianças.

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