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Repensar o Natal, em família
(carta das autoridades de saúde ao Pai Natal)

Exmo. Senhor Pai Natal,


Atendendo a que, por ter mais de 65 anos, de aparentar excesso de peso e se movimentar sem vestuário de protecção adequado, sem cuidados e sem máscara, em objecto voador com tracção animal e em horário de recolher obrigatório, informamos que não só fará parte de população de risco como, também, poderá incorrer no crime de “desobediência”.
Informamos, também, que a correspondência que venha a receber, nesta altura, porque iria requerer higienização e um período de quarentena de 14 dias, é expressamente proibida. Pelo que estamos a desaconselhar, vivamente, que as crianças consultem catálogos de presentes, os tornem inseparáveis de si próprias, os sublinhem (para mais, de língua ao canto da boca) e, no final, escrevam ao Pai Natal. Informamos, ainda, V. Exa. que a distribuição de presentes, porta a porta, não é compatível com as regras do distanciamento social, por ora, em vigor. Pelo que se recomenda que as crianças - em virtude da preponderância que têm na propagação da "carga viral", nesta altura - deixem de ser, com tanta preponderância, fonte de "contágio" em relação ao Natal.

Recordamos, ainda, que, em função de normas superiores, está em vigor uma forma de se repensar o Natal, em família. Com a firme convicção de que os laços e a proximidade, o amor e a troca de presentes poderão ser um incentivo à propagação de gestos amorosos que se entendem como perigosos. Logo, Exmo. Sr., lamentamos informar que o Natal estará em quarentena. Pelo que o toque e o abraço são vivamente desaconselhados, por violarem as regras impostas Mais informamos que, contrariamente às notícias que têm vindo a público, o "vírus da solidão", de que tanto se fala, representa um desagradável alarme social. E que, para além da tosse ou das dificuldades respiratórias, por exemplo, não está provado que a solidão seja uma manifestação da pandemia. Não havendo, portanto, das organizações internacionais de saúde provas que atestem que essa relação exista.

Ademais, se, até ao momento, vigorava a convicção de que o Natal seria das crianças - o que algumas pessoas (incorrendo no "crime de desobediência", tanto questionavam) - informamos que o Natal estará em recolher obrigatório. Esperando esta autoridade que a taxa de propagação dos gestos de amor baixe e ajude a achatar a curva dos cidadãos com gestos natalícios, nesta altura tão crítica do ano. Mais se informa que, ao contrário do que tem sido notícia, não está provado que os presentes de Natal tenham uma função de antídoto em relação ao distanciamento, ao isolamento e confinamento. Logo, recomenda-se que não sejam entendidos como uma "vacina" contra o recolher obrigatório. Muito menos, em taxas acima dos 90% de eficácia. Pelo que, no entendimento desta entidade, os gestos francos de Natal devam ser conservados numa significativa "rede de frio". Fora do alcance das crianças e dos mais idosos.

Aliás, repensar o Natal, em família, parece ser uma iniciativa louvável. Porque, se, para tantas famílias, o Natal se resumia a trocas de gestos de amor que, muitas vezes, se circunscreviam a este período do ano, mais se recomenda que esses gestos sejam objecto de maior recolhimento. Ajudando a aumentar o número de pessoas assintomáticas para com ela. E com o Natal.

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