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São as mulheres que mudam o mundo!
Na senda de um mundo menos sexista
É habitual, no dia da mulher, falar-se da quantidade ignóbil de mulheres vítimas de violência. Do número de dias que inúmeras mulheres têm de trabalhar a mais, durante um ano, para que tenham direito ao mesmo salário que, em idêntica tarefa, um homem usufrui. Do número de mulheres que são vítimas de assédio. Ou da forma como, ainda hoje, muitas mulheres são discriminadas no acesso ao trabalho porque são, simplesmente, mulheres. E é fundamental que se fale. Porque é incompreensível. É vergonhoso E é injusto.
É habitual, no dia da mulher, que se fale de tudo isto. E só por ser habitual é bem a prova dum mundo que, por mais que seja instruído como nunca, é (ainda) muito estúpido. Mas num dia destes pode ser importante querer mudar. E é por isso que eu gostava que, ao mesmo tempo que é indispensável exigir que o mundo fique mais justo para as mulheres, ele deixe de ser, genuinamente, sexista. Porque ser demagogicamente menos sexista, como já é, não o torna, só por isso, mais justo.
Passemos por alguns exemplos.
Por mais que a violência e o assédio que chega aos jornais seja, grande parte das vezes protagonizado por homens, não pode ser, perigosamente, sexista a forma como parece atribuir-se ao homem a responsabilidade, quase exclusiva, de todo o mal que se abate sobre as mulheres? Como se, em nome duma justiça que tem de ser feita, se fosse passando uma ideia demasiado fracturada de bem e de mal, parecendo ser “o mal”, sobretudo, masculino?
E, por mais que o mundo tenha assumido a orientação sexual das pessoas adultas como uma característica que merece respeito, não se terá deixado enredar por argumentos populistas a ponto de, vezes demais, parecer viver a identidade de género quase como uma discriminação sexual? E, seja a propósito dos brinquedos da MacDonald’s, que merecem reservas, seja das secções de roupa dos rapazes e das raparigas que vão sendo banidas por algumas grandes marcas, seja nos nomes próprios andróginos que se vão reclamando para os bebés, ou seja na forma envergonhada como se usa o plural (!) e se entende que ele é sexista, não poderá estar-se a condescender com a ideia de que a identidade sexual duma pessoa deve vir antes do respeito que a sua identidade e a sua singularidade nos deve merecer? Não poderemos estar a ser, em nome da inclusão, sexistas, de outra maneira?
E não se vai interpretando o cavalheirismo com um paternalismo sexista em vez de o ver, unicamente, como delicadeza e boa educação? Que, por isso mesmo, não obriga a que a conta do jantar ou os ónus sobre a divisão do património, num divórcio, tenham de ser, “por inerência”, assumidos, sobretudo, pelos homens.
E por mais que o mundo sempre pareça ter sido machista e matriarcal, não será ainda demasiado sexista quando, em função dum divórcio, permite, por exemplo, que haja pais que vejam os seus direitos à parentalidade limitados, unicamente, porque são homens, sendo-lhes dado, muitas vezes, na melhor das hipóteses, o direito de visita? 
O mundo sempre foi sexista. E é mau que assim seja! Mas é, igualmente, trágico que, vezes demais, “substitua” o sexismo por uma uma leitura excessivamente sexualizada de tudo e de mais alguma coisa, a ponto do amor parecer assumir uma aragem ora medieval ora, mesmo, pimba? Pode um mundo menos sexista e mais sexualizado ser mais justo para as mulheres e para os homens?
É habitual, no dia da mulher, falar-se da quantidade ignóbil de mulheres vítimas de violência. Das injustiças que as mulheres vivem no trabalho. Ou da forma como são assediadas. E - repito - é fundamental que se fale. Porque é incompreensível. É vergonhoso E é injusto. Mas numa altura em que a Humanidade parece estar doente, não pode ser fundamental que a luta contra todos os sexismos faça do futuro um lugar mais justo e mais igual?
Eu acredito que, em muitíssimos aspectos, são as mulheres que mudam o mundo. E que, por mais sexista que isto pareça, eu acredito que se as mulheres se insurgirem contra a estupidez o mundo pula e avança. E que passe a existir lugar para a insubordinação desta deriva que nos faz ir sentindo que os valores da humanidade parecem estar a definhar. Onde não sejam precisas quotas nem recomendações para que prevaleçam direitos. E onde, seja qual for o sexo duma pessoa, não seja supérfluo desejar que ela tenha direito a, pelo menos, o melhor de tudo aquilo que merece. 
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