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Todos somos vítimas. E cúmplices, também
Há pessoas para quem a casa não é um aconchego

Há pessoas para quem a casa não é um aconchego ou um refúgio. Mas uma cela de tortura, com janelas.
Há pessoas para quem cada regresso ao lar não é uma peregrinação, cheia de esperança. Mas uma dor que se arrasta e que as corrói, sem fim e sem auxílio.
Há pessoas que - no lugar do amor, do mimo ou do carinho, ou do cuidado, da ternura e do apego - têm, unicamente, quem as humilhe e as ofenda. As intimide e as violente. E as agrida e envergonhe.
Há pessoas que morrem, todos os dias, mais um pouco! E que, do quase-nada que lhes resta, dão e se repartem. E, por mais que vivam ao abandono, cuidam e protegem. E, por mais que fosse de esperar que estivessem carcomidas de ódio ou de rancor, à violência respondem com bondade. Mesmo que haja quem as rasgue, sem clemência e sem remorsos.
Há pessoas que, com o nosso silêncio, são empurradas de solidão em solidão, e sem socorro e sem retorno, para a morte. E, se já não bastasse todos os dias em que elas morreram, devagarinho, morrem, finalmente, às mãos de quem só as devia proteger.

Sempre que alguém morrer por violência doméstica todos somos vítimas. E cúmplices, também. É por isso que nunca são demais aqueles que se insurgem contra ela, a denunciam e a combatem. E lutam para que não haja mais crianças que cresçam (será que crescem?) sob a violência dos pais.


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