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Amar, fazer amor e fazer sexo
As pessoas falam muito pouco do amor. E assumem-no, menos ainda, como “o objectivo” das suas vidas

Muitos de nós, quando olhamos para trás, reconhecemos - com a nossa experiência de vida ao dia de hoje - que teremos assumido uma relação (e que, depois, teremos casado), sobretudo, para podermos conviver com a sexualidade sem termos de nos confrontar com os reparos dos nossos pais. E que, muitos, mantenham essas mesmas relações, sobretudo por causa dos nossos filhos. Por outras palavras, são muitas - mas, mesmo, muitas - as pessoas que não têm com a sua sexualidade uma relação simples, cúmplice e apaixonada. Na verdade, parecem-na viver como uma espécie de “imposto de valor acrescentado” duma relação (que já foi amorosa). Não contando com as pessoas que não a vivem, simplesmente, ora há meses ora há anos; por mais que coabitem e convivam com um mesmo parceiro. É claro que se as questionarmos acerca do seu amor por essa pessoa, acredito que o assumam e o reclamem. Mas pelo tom com que o fazem parecem não se sentir tão amadas como mereceriam. Nem parecem viver a sexualidade da forma tão intensa como a terão desejado. É claro que as pessoas terão “mil motivos” para parecerem sempre “zangadas”. Mas a forma como se sentem mal-amadas não será estranha a nada disso.

É normal que todos cheguemos à sexualidade “cedo demais”. Isto é, com experiências de vida e experiências amorosas mais ou menos rudimentares. Ou, mesmo, “frágeis”. E que, depois, tudo se passe tão depressa que nos é difícil viver e pensar aquilo que vivemos quase ao mesmo tempo, e duma forma esclarecida. Será possível imaginar um amor adulto à margem da sexualidade? Eu acho que não. Mas talvez a maioria das pessoas o faça. Contra tudo aquilo que mais queria.

Talvez seja por isso que as pessoas falem muito pouco do amor. E o assumam, menos ainda, como “o objectivo” das suas vidas. Mais depressa reconhecem que “amam” um alimento, uma viagem ou uma opção de vida do que amam uma pessoa. E se, há algum tempo atrás, era frequente que, nas revistas ou nas séries, se falasse de “fazer amor”, tem-se vindo a banalizar o “fazer sexo”. E talvez isso queira dizer alguma coisa.

Há uma diferença entre “fazer amor” e “fazer sexo”. “Fazer amor” pressupõe que a sexualidade consolida o amor. “Fazer sexo” que ela se dá à margem do amor. É claro que as pessoas “fazem sexo” ou “fazem amor” como muito bem entendem. Mas a forma como se banalizou a expressão “fazer sexo” por oposição a “fazer amor” diz bem que o amor e a sexualidade andarão, por aí, numa relação difícil. , Por mais que, “oficialmente”, muitos casais assumam que se amam, pela forma fácil como deixaram cair o “fazer amor” em relação ao “fazer sexo”, talvez queira dizer que o amor já terá conhecido dias melhores. E, se for assim, é trágico. Em primeiro lugar, porque o amor adulto expande e revoluciona; e traz bondade, sabedoria e beleza. Depois, porque a sexualidade, num amor adulto, nos leva a namorar com a vida. Sem amor e sem se “fazer amor” o que sobra, então? Um erotismo volátil. E solidão; muita solidão. Todavia, “assistida”.

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