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O amor nunca nos procura
Embora possa parecer que sim

Na verdade, fomos todos mal-educados para o amor. E iludidos, até. Porque o amor nunca é sempre cor-de-rosa! Mas, seja pelo que for, somos desmazelados - demasiado desmazelados - para com o amor. Às vezes, vivemo-lo com gestos de Amo-te, mas não te desejo. Como se fosse possível ter-se intimidade sem se ser íntimo. Às vezes, confundimo-lo, demais, com a sexualidade. Quase sempre, esperamos que ele nos procure. Ou que nos caia no colo, de forma acidental ou distraída. Mesmo quando mal o olhamos nos olhos. E nos colocamos diante do amor dum jeito pouco humilde, pouco amável, pouco amante e... preguiçoso.

Por mais que muitos amores pareçam, a quem os desconheça,mais ou menos improváveis, todo o amor, para ser amor, tem de ser... provável. Provável de ter em si o seu quê de alguma insegurança que ora o torna compreensível ora o faz contraditável. Provável de, em todos os momentos, ser preciso sentir-lhe o paladar. E provável de nos pôr à prova e de nos dar provas. Por mais que não pareça, todo o amor é uma prova. De vida!

O amor, para ser amor, precisa de gestos. Necessita de surpresas. Mas precisa, sobretudo, de palavras. Daí que esperar que alguém penetre do nevoeiro dos nossos silêncios para que, repetidamente, nos pergunte "O que é que se passa?", talvez não seja amor. Mas um mal-entendido. E quando, já em desespero, nos lamuriamos que se perde no tempo a última vez que alguém muito nosso nos convidou para um jantar, e essa pessoa nos responde: "Que não seja por isso... Jantamos hoje, pois claro", aquilo que se passa talvez não seja amor mas um... peso. No "estômago". E quando ousamos ser surpreendidos por um programa de fim-de-semana e a melhor surpresa que nos reservam será dizerem-nos: "Fim de semana a dois? Boa ideia!!! Marca tu...", aquilo que se passa não é amor, mas uma passividade sufocante. E quando esperamos que alguém que nos diga que nos ama e temos, como resposta: "Eu também". Ou, mais simplesmente, "Tu sabes...", aquilo que se passa não é amor. É um escombro que nasce onde devia haver uma janela.

O amor nunca nos procura. Pode parecer que sim; eu sei. Mas não. Primeiro, vem tudo aquilo que se trabalha para o amor. Só depois, a paixão. E a seguir, claro, a ousadia de o desejar, a ânsia de lutar por ele e a capacidade de o saber esperar.

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