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O homem dos meus sonhos!
Ou, se preferir: como é que eu descubro o homem dos meus sonhos?

“A pessoa” dos seus sonhos não é, seguramente, aquilo que algumas das suas amigas lhe possam dar a atender quando sentem em si a determinação (que talvez lhes falte) quando se trata de encontrar alguém que tenha todo o sentido para o seu amor. Ou aquilo a que alguns familiares, insistentemente, põem em causa a propósito do seu estado civil, rematando com um: "Não estarás a ser demasiado exigente?", que parece dar a entender, por vezes, alguma apreensão com uma espécie de "prazo de validade" a que possa estar sujeita... Talvez a sua dúvida seja: “o homem dos meus sonhos” existe ou é uma miragem? Faz sentido que lute por ele e o “procure”? Como é que eu descubro o homem dos meus sonhos?...

Tratando os sonhos por tu! Olhando-os nos olhos. E “abrindo-os” para os ler. Se fizer isso, vai perceber que “o homem dos seus sonhos” - ao contrário daquilo que lhe dizem, tantas vezes, quando a tentam dissuadir de procurar quem a preencha - não é um “príncipe encantado”. Nem uma pessoa perfeita. Não é, portanto, uma espécie de “castelo nas nuvens” que nunca será seu. A  verdade é que “o homem dos seus sonhos” não pára de ser construído, peça a peça. Quase todos os dias. Constrói-se sempre, quase sem que dê por isso. A partir de todos os pequenos-nada de todas as suas experiências amorosas. Daquelas às quais aprendeu a dar importância, a partir do momento em que as viveu ou as descobriu. Unicamente, porque aquilo a que chama “os seus sonhos” não se faz de devaneios. É a sua cabeça, sempre “a 1000”, sensível e atenta, como até a si talvez lhe custe perceber ou aceitar. A registar pormenores e a comparar experiências. A “tirar as medidas” aos seus sentimentos. E a apreciar gestos e pequenas coisas, aparentemente miudinhas. Ou a embirrar com omissões que, parecendo sem importância, magoam, partem ou estragam. E a fazer “contas de cabeça” em relação a quem quer para “seu” amor, quase sem descanso. A partir daquilo que considera inegociável e insubstituível que “o homem dos seus sonhos” tenha de ter para merecer o seu amor.

Na verdade, ninguém ama só com o coração. Ama-se com a cabeça! E se acha que não passamos a vida a construir “a pessoa” dos nossos sonhos está enganada. O problema que isso pode trazer não tem muito a ver com “os nossos sonhos”. Mas, sobretudo, quando fazemos por esquecer (envergonhadamente) que essa “pessoa” existe. E que ela se constrói de coisas palpáveis e indispensáveis para nós que, grande parte das vezes,  são simples e fáceis, ao contrário daquilo que lhe dizem quando insinuam que anda à procura de alguém perfeito. E que não são mesmo nada “do outro mundo”. O problema não são os nossos sonhos mas as vezes sem fim em que fugimos de exigir(!) todas essas “coisas” a que nos sentimos com direito! O problema nunca são os nossos sonhos, mas reconhecermos que a pessoa que temos ao lado não já não é “a pessoa” dos nossos sonhos como não parece mexer nem “uma palha”, lutando para o ser, claro. Como se entre nós e essa pessoa aquilo que mais parecesse que nos liga acabe por ser uma desistência irrespirável, que não pára de aumentar.

Mas será que a pessoa dos nossos sonhos ainda não descobriu que só depois de sentirmos admiração, respeito e encanto por tudo aquilo em que ela se tornou é que estamos prontos para a desejarmos? Será que é assim tão absurdo que entenda que todos somos “sapos” até que alguém trabalhe por nós e não desista para que, só depois dela entrar nos nossos sonhos, sentirmos que nos transforma na pessoa mais bonita que, sem isso, nunca somos? E que isso se conquista quando ela nos ilumina e nós voltamos a olhar para as pessoas que temos nos sonhos (“pessoa dos nossos sonhos”, incluída)?

Não; aquilo que nos estraga não são as pessoas dos nossos sonhos! São as pessoas que, podendo ser os seus arquitectos, nos estragam os sonhos. E fazem com que pareça até uma vergonha o dever de construirmos uma ideia clara do que queremos de alguém que, ao mesmo tempo que mereça o nosso amor, não deixa nunca que “a pessoa dos nossos sonhos” se afaste de nós.

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