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O meu companheiro
Pequenos pormenores fazem tanta diferença

Eu sei que a idade nos afina o ouvido e que, por vezes, somos sensíveis a pormenores que talvez pareçam supérfluos. Mas reconheço que chamar à pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado "o meu companheiro" tem qualquer coisa que desvaloriza uma relação amorosa. "O meu companheiro" está ali na vizinhança da amizade. Um companheiro é um amigo; com quem se compartilha um ideal político, uma paixão clubística ou um compromisso social. Que parece atribuir à pessoa que queremos ter sempre connosco um vínculo, aparentemente, próximo do associativismo que lhe retira todo o charme de ser um (grande) amor; que valha a pena! Um companheiro é um acompanhante. Mas não é um amante. E isso dá-lhe o "toque" - escorregadio - de ser, muito mais que uma paixão, uma resignação ou, quase, um desalento.

"O meu companheiro" não tem o encanto d’"o meu namorado". Nem a ressonância (infelizmente) "institucional" d’"O meu marido". Se já a passagem de “o meu namorado” ao “meu marido” nem sempre é acompanhada pela sensação de - à escala do amor - se estar, quase sempre, diante de uma "promoção", o salto de "meu namorado" para "o meu companheiro" vem acompanhado com o desconforto de estarmos perante uma promoção pelas escadas abaixo. Ou diante duma relação amorosa que arrefeceu e se eclipsou. Ou, por outras palavras, de um amor de quem nos desencontrámos e que se fraternizou. E isso é mau!

É claro que todos gostaríamos que "o meu marido" representasse uma forma minimalista de se dizer, por outras palavras, “o meu amor”. E que casar fosse só isso: a sagração do nosso amor. Mas não é verdade que seja assim, para sempre. E se, de início, até podia parecer que fosse, com o tempo, muitas designações de “o meu marido” são, "tecnicamente", verdade mas resumem-se a um contrato a que nem sempre corresponde uma "união, de facto”, por dentro. Bem vistas as coisas, para uma imensa maioria de casais, talvez "o meu marido" signifique muito mais "o meu companheiro" do que "o meu namorado". E isso é triste.

Mas é injusto que duas pessoas que assumem uma relação como um compromisso mútuo como se fosse o de um namoro interminável só pudessem ser vividas como "companheiras". É curto. Não chega. É uma espécie de "amizade colorida" aos olhos de todos. É demasiado acanhado para uma coisa tão séria como querer que essa pessoa faça parte da nossa vida, em todos os momentos, para sempre. Portanto, se me permitem, acabemos (de vez!) com "o meu companheiro". E, se é para assumirem que aquela relação é preciosa e sagrada, chamemos-lhe, com orgulho: "o meu namorado".

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