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O que é a felicidade?
E porque é que não somos mais vezes felizes?

De todas as pessoas com quem já estive, não me recordo de nenhuma que me tenha dito: "Eu vou ser feliz!". Ou "Quero ser feliz!". Escuto - isso sim - muitas vezes: "Gostava de ser feliz...". Tudo no pretérito. No condicional. E com reticências. Às vezes, parece que a felicidade é, quando muito, uma espécie de inconformismo que sobrevive e que respira por entre tudo aquilo que, sem querermos, nos torna infelizes.

Não, a maior parte de nós não é feliz. Às vezes, também não seremos, abertamente, infelizes. Mas estaremos numa espécie de "terra de ninguém" entre a felicidade e a infelicidade a que talvez se possa chamar: "vai-se andando". Que é uma forma de nos tornarmos infelizes. Devagarinho. Convivemos, quando muito, com a paixão. Que é um estado de felicidade, fulgurante. Mas do tamanho dum fósforo.

A maioria de nós vive entre o "vai-se andando” e a infelicidade. E é por isso que a felicidade parece ser uma ilusão teimosa e persistente. Não fazemos tudo aquilo que devemos fazer para sermos felizes; é o que é. Às vezes, a felicidade parece, quando muito, um sonho. Real, porque existe para nós. Mas impossível; porque nos falta a lealdade de o reconhecermos como nosso e exequível, ao mesmo tempo. Doutras vezes, a felicidade é um lugar que evocamos como se já o tivéssemos vivido. Um paraíso perdido. Um recanto na memória. Passado, portanto.

O nosso maior erro é imaginar que seremos felizes se quisermos; sim. Mas sempre mais ou menos sozinhos. Mas, afinal, o que é a felicidade? Um estado de comunhão e de dádiva recíproca entre duas pessoas, que se confiam uma à outra, e que de cada vez que são transparentes em tudo o que sentem e se despojam se enchem com tudo aquilo que recebem. Porque é que não somos mais vezes felizes? Porque não nos damos, como devíamos. E é da felicidade que nasce o entusiasmo. A paz a beleza. Ou a bondade. Quem não conta com quem é precioso para si para ser feliz contenta-se com o “vai -se andando” e será, por isso, infeliz. Acerca da felicidade talvez só se deva falar na segunda pessoa. É por ser tão mais fácil de lá chegar do que parece que não entendo que não haja quem diga: “Queremos ser felizes!”. Ou “Vamos ser felizes!”. E, em vez do futuro ao nosso alcance, todos os dias, a felicidade pareça um lugar distante. Porque é que, de todas as pessoas para quem somos importantes, ninguém nos promete que seremos felizes? Porque não nos prometemos uns aos outros. Como devíamos.

 

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