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Os homens são egoístas!
São?

São muitas as vezes que escuto, em tom de desabafo: “Os homens são egoístas!…”. O comentário surge por parte duma mulher. E merece, pelo menos, uma concordância tácita de outras mulheres junto das quais ele é proferido. É claro que, por mais isento que eu tente ser, há dias em que sinto que este é só mais um slogan numa espécie de “guerra de sexos” que se vai banalizando, quase sem contraditório, duma forma inquietante. De repente, o diabo veste-se de homem. Quase sempre. O que me parece, verdadeiramente, batoteiro.Mas, a determinado momento, recomponho-me. Vamos admitir que não é um slogan. E que, por mais que não seja, abertamente, subscrito por todas as mulheres, esta será uma ideia aceite por muitas delas e que muitas outras repetem. (Mesmo que o digam doutra forma. Como, por exemplo, o fez Glenn Close, na atribuição dos Globos de Ouro, quando afirmou que: “Nós somos cuidadoras e isso é o que se espera de nós. Temos os nossos filhos, os nossos maridos e, se tivermos sorte, os nossos pais.”).
Admitindo que possam ter razão - perguntei-me - serão os homens egoístas porque, na sexualidade, procuram mais o orgasmo do que se entregam ao enamoramento? Serão egoístas porque acham que o seu trabalho é sempre mais importante que o trabalho das suas companheiras, acabando elas por ser castigadas, nas suas carreiras, pela forma como cuidam? São egoístas porque serão sempre, aparentemente, os últimos a disporem-se a alterar o que quer que seja para o bem da família? Ou porque acham que “a casa” é um exclusivo das mulheres, reconhecido há um ror de tempo, que não fará parte do seu “caderno de encargos”? Ou, ainda, porque se encolhem e, “chegados à hora”, nunca se dispõem a fazer mais vezes de pais a não ser quando lhes é pedida ajuda, e quase nunca antes? O que é grave é que sinto que muitos destes exemplos seriam subscritos por imensas mulheres. Logo, talvez nada disto possa ser “só” um slogan...
Imagino que, logo a seguir, haja quem diga que quanto mais cuidam mais as mulheres controlam. E mais comandam. E é verdade que não deixará de ser, também, assim. Por mais que só isso não chegue - digo eu - para que sintam a gratidão e o reconhecimento a que tenham direito.

Mas vamos admitir que, muitas vezes, as mulheres - por mais que se revejam num lado guerreiro, sábio, audaz, sensato ou justo dum homem - o sintam egoísta, sempre que ele parece não trabalhar, seriamente, para se aproximar daquilo que elas esperem de si. Estarem pouco preocupados com a expectativa duma mulher em relação a si - se for o caso - torna os homens, realmente, egoístas. Mas, por vezes, o egoísmo de que elas falarão talvez tenha, sobretudo, a ver com a ausência (gritante) de reconhecimento que o seu lado cuidador parece merecer. Se essa ausência existir, estamos a falar de egoísmo. Inequivocamente.

O mais grave, é que, na maior parte das vezes, não entendo que estes desabafos se configurem como uma autêntica “guerra de sexos”. Na verdade, são formas de se dizer, por outras palavras: “Queremos homens melhores!”. Se for assim, não devíamos nós, os homens, estar gratos por esperarem isso de nós? Voltemos a Glenn Close: “Temos que encontrar aquilo que nos faz sentir realizadas. Temos que seguir os nossos sonhos e dizer: eu consigo, e tenho o direito de conseguir.” Temos todos! Sobretudo quando se trata de aproveitarmos todas as oportunidades para escutar quem nos deseja melhores.

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