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Todos casamos para sempre e nos divorciamos todos os dias
Quando o amor não é um destino

Todos casamos para sempre e nos divorciamos todos os dias. E é talvez essa “montanha russa” de coisas que se sentem que torna o amor tão fácil e tão impossível. Ao mesmo tempo.

Quando se casa, é para sempre. É para sempre quando, do ponto de vista duma confissão religiosa, o amor, como uma graça, se revê no testemunho dum gesto, sentido como sagrado, que se tem sob a benção de Deus. E que nos leva a reconhecer nesse “sempre” de “duas pessoas num mesmo destino” uma “ponta de eternidade” que os chega mais para o pé de tudo o que é divino. E casa-se para sempre porque, depois de casados (de ligados, por dentro, a alguém), nunca mais nos divorciamos. Porque depois de uma pessoa entrar na  nossa vida ela não sai. E sai menos, ainda, quanto mais queremos que se esfume ou desapareça, “para todo o sempre”, da nossa memória; para não voltar. Como se esse “sempre” que ela representa em cada recordação fosse uma nódoa ou um pesadelo que nos persegue; e não devia. Mas há um casar para sempre mais sério e mais “clandestino” de que, raramente, se fala: aquele se conquista quando não se desiste do namoro. Se namorarmos para sempre casamos todos os dias. Casar é, bem vistas as coisas, uma tarefa interminável. Porque namorar é aquilo que nos leva a casar; por mais que a maioria das pessoas, quando se casa, deixe de o fazer. Por outras palavras, seja qual for o ponto de vista pelo qual ele se veja, todos os casamentos são para sempre. 

Mas, - há sempre um mas... - divorciamo-nos, mais facilmente do que pode parecer, todos os dias. Basta que passemos do namoro à preguiça, ao desmazelo, ao desconhecimento ou à decepção dos gestos, que não damos. Sendo assim, não quer dizer que sermos contra o divórcio nos torne a favor do casamento. Aliás, vendo bem, não há como ser contra ou a favor do casamento ou do divórcio. Há coisas que valem por si. Ou por aquilo que nos fazem sentir. Por mais que sejamos contra elas. Ou a seu favor. 

Quando é que somos felizes? Quando nos casamos. Isto é, quando dois destinos se cruzam num ponto que,  surpresa, lhes é comum. 

E quando é que somos medianamente felizes? Quando nos divorciamos. Quando assumimos que aquilo que nos liga não compensa nem ilude tudo aquilo que separa. E voltamos, de novo, a ser donos (de encontrar)  dum “destino” “escrito”, também, por nós. 

Já agora, quando é que nos tornamos infelizes? Quando vivemos com indiferença aquilo que nos casa e nos separa. Como se o amor não fosse nem fácil nem impossível. Nem um destino, sequer. E fosse estranho a tudo a quem que, de bom ou de mau, nos traz o “sempre”.

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