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É uma chamada de atenção!...
Sim?

E, depois, há sempre alguém que nos diz que o comportamento muito "assim-assim" de um dos nossos filhos é "uma chamada de atenção". E nós, que já estávamos prontos a reagir na nossa melhor versão de "lobo mau", sentimo-nos repreendidos e, como se tivéssemos estado de folga durante tempo demais, mal refeitos do embaraço, somos empurrados para uma "versão cool" de pais que, segundo algumas pessoas recomendam, devia levar-nos a zangarmo-nos "baixinho" e, de preferência, a fazermos de conta que os nossos filhos têm sempre razão.
Mas que coisa é esta de haver sempre alguém que faz o favor de transformar todos os pais nos melhores amigos da culpa? Que moda é esta - falsamente cheia de psicologia - que faz com que haja sempre alguém à nossa volta que nos exige que sejamos "pais sem glúten", "pais sem açúcar", "pais sem gorduras" e "pais sem gritar"?… Como se lhes déssemos tudo e mais alguma coisa e, mesmo assim, parecesse haver sempre alguém que pretende que sejamos só "paizinhos"... sem sal!
A certa altura, nós não somos pais. Somos uma espécie de "Guilty Generation". Somos pessoas que amam de forma desmedida e que, mesmo assim, temos sempre quem, ao nosso lado, nos sopra ao ouvido: "Se calhar é uma chamada de atenção!...". Como se, ainda por cima, devêssemos sempre andar às voltas com a ideia de que todo o nosso amor e todo o tempo que damos às crianças nunca chegar para estarmos ao nível daquilo que se exige de nós.
Mas não seremos, todavia, bons pais? Quantas vezes viajámos de automóvel, sempre sentados numa cadeirinha? E quantas histórias, contadas todas as noites, levamos de avanço em relação aos nossos pais? E quantas vezes eles estiveram atentos para tudo aquilo que se passava na escola e foram lá e nos protegeram sem que, antes, se tivessem zangado connosco, como se fosse o que fosse que tivesse acontecido a culpa não tivesse nunca deixado de ser nossa?

Não percebo esta vontade de nos quererem numa espécie de "pais-versão amiga do ambiente"! Que leva a que todos os pais que se zangam quando acham que se devem zangar pareçam estar a criar "crianças transgénicas" em vez de "produtos bio". Ajudem-nos, sim. Mas parem de nos censurar! E, muito menos, "em português suave". Podemos ser melhores pais? Podemos! Sempre. Podem os nossos filhos ser tão subtis na forma como nos dizem: "Olha (melhor) por mim!" que, às vezes, eles estão tão saturados de nos "puxar à Terra" que nós, todos trapalhões, os achamos, unicamente, com acessos de "mau feitio"? Podem. E, depois: será que as suas presumíveis "chamadas de atenção" devem ser interpretadas como uma espécie de "pagamentos por conta" a ponto de sermos pais que se desculpam por tudo e por nada? Pais que cresçam com as asneiras, sim. Somos quase todos. Pais que, para se pouparem a elas, tenham de viver sob o espectro de não terem crianças a exagerar nas "chamadas de atenção", não! Amar é chamar a atenção. Certo?… E, depois, vamos passar a pedir desculpa por querermos só amar, perdidamente?

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