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A arte delicada de empinar o nariz
Falar direito com todos os érres

"- Não me falas assim porque sou tua mãe!

   - Ah!!!! És?… Ena! E não é que eu não tinha reparado..."

E tudo podia começar connosco a elogiar a forma como os nossos filhos empinam o nariz. E é bem a prova de como eles, entretanto, cresceram sem que nós déssemos por isso. E como aprenderam a "apanhar" os nossos "pontos fracos" e a introduzir a ironia e o sarcasmo nas suas palavras fazendo com elas as nossas melhores caricaturas.

A arte delicada de empinar o nariz pelos nossos filhos merece, da nossa parte, advertências em "português suave"; geralmente. Como: "Mas achas que eu sou tua colega, é?…". E evolui para semáforos, com o seu quê de amarelado, do género: "Atenção ao tom!…” ou "Vê lá como é que falas!…". E acaba, muitas vezes, connosco a exigir "Respeitinho!" Que é uma luz um tudo-nada avermelhada que introduz a exigência de uma versão moderada do "Mais respeito! Sim?…".

Mas, na verdade, empinar o nariz é indispensável para o crescimento dos nossos filhos. Representa, de certa forma, o casamento entre as regras que entendemos que são inegociáveis e que se devem cumprir e a forma um bocadinho mais assanhada como eles nos respondem com alguma raiva. Que é indispensável! Na verdade, eles precisam de empinar o nariz, quando falam connosco - e que, às vezes, passam por suspiros de enfado, por um "Sim!?…" que tresanda irritação duma ponta até à outra ou por um olhar que faísca trovões por todos os lados - para aprenderem a ser assertivos mas bem educados. Ou, se preferirem, agressivos com boas maneiras. Para aprenderem a pôr os pontos nos is. Para não ficarem à espera que todos os tratem cheios de "algodão doce" sempre que eles decidem amuar. Para serem guerreiros e se "travarem de razões". Para dizerem de sua justiça. Para crescerem robustos.

E, sim, é verdade que nós somos o seu "laboratório" de todas as horas. Mesmo que estejamos "de rastos". Ou com uma vontade muito próxima do zero para comprarmos mais uma briga, por exemplo. E, não, não é verdade que compreendermos a função que as respostas tortas têm na forma como os ensinam a "falar direito com todos os érres", seja o que for que sintam que tenham de dizer, suponha que devamos condescender sempre que nos arranham o coração. Nunca! A "fórmula" será pôr regras e limites ao que de mais “torto” as respostas deles acabam por ter. Para que, de seguida, eles cheguem à versatilidade de olhar nos olhos e, com delicadeza, nunca deixem um não que tenha de ser dito por dizer.

Portanto, faça da arte delicada de empinar o nariz uma "fase" (as mães adoram falar de fases, não é?…) semelhante ao acne, por exemplo. Eles precisam de passar por lá para ficarem mais bonitos, mais autónomos e mais seguros. A não ser que , ao empinarem o nariz, os nossos filhos puxem por picardias do género: "Então, é para vermos quem é que consegue ser o mais teimoso? É?…" Que, de tanto nariz empinado de um lado e do outro, regra geral, acaba mal.

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